ANÁLISE-Repasse do petróleo ainda não é problema para PETROBRAS

quarta-feira, 17 de outubro de 2007 16:55 BRST
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 17 de outubro (Reuters) - A ingerência política e o desempenho operacional abaixo do esperado recentemente atrapalham mais as ações da Petrobras (PETR4.SA: Cotações) na bolsa do que a falta de repasse do aumento de preços internacionais do petróleo ao mercado brasileiro, avaliaram analistas nesta quarta-feira.

Segundo eles, a companhia poderia ter mantido o status de estrela do mercado apesar do congelamento de preços ao consumidor da gasolina, diesel e GLP (gás de cozinha), não fossem as mudanças de cunho político na diretoria e um desempenho operacional insatisfatório no primeiro semestre deste ano.

No final de setembro, a ex-presidente da BR Distribuidora Maria das Graças Foster deixou o cargo para o ex-senador do PT Eduardo Dutra, e ganhou em troca a diretoria de Gás e Energia, no lugar do também petista Ildo Sauer. Outras possíveis mudanças frequentemente ocupam as páginas dos jornais, para aflição dos investidores.

A revisão para cima do plano de investimentos da estatal para mais de 112 bilhões de dólares até 2012 também não agradou, segundo os analistas, que vêem pouco retorno para o investidor.

"O que atrapalha a Petrobras na bolsa é a ingerência política, a revisão do plano que não agradou e os números do segundo trimestre, não o preço do petróleo", afirmou Gilberto Pereira de Souza, do Banco Espírito Santo.

Segundo cálculos do analista, a defasagem entre a disparada do preço do petróleo no mercado internacional e o praticado no Brasil é baixa, o que respalda as declarações do presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, na terça-feira, de que o câmbio compensa a falta de ajuste da gasolina, diesel e GLP, este último com preço congelado desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2003.

Comparando o preço em reais de um barril de petróleo da época do último reajuste da gasolina e do diesel no mercado interno, em setembro de 2005, com o momento atual, a defasagem de aumentos no país não chega a 10 reais por barril, segundo cálculos de Souza.

Em setembro de 2005, o preço médio do barril de petróleo era de 63 dólares e o dólar valia 2,29 reais. Atualmente, o preço gira em torno dos 89 dólares e o câmbio está perto de 1,80 real.   Continuação...