Wall Street despenca em meio a temores com bancos e AIG

quarta-feira, 17 de setembro de 2008 18:39 BRT
 

Por Kristina Cooke

NOVA YORK (Reuters) - Os principais índices de ações norte-americanos desabaram para o menor patamar em três anos nesta quarta-feira, à medida que o socorro à seguradora AIG falhou em acalmar a crise de confiança nos mercados globais, deixando os bancos temerosos em emprestar recursos uns aos outros.

Preocupados com a possibilidade de que a crise faça ainda mais vítimas da crise global de crédito, motivando uma venda generalizada de ações de instituições financeiras. Essa venda levou os três maiores índices de ações dos Estados Unidos a fecharem em queda de mais de 4 por cento. O índice financeiro da S&P despencou 9 por cento.

O índice Dow Jones, referência da bolsa de Nova York, recuou 4,06 por cento, para 10.609 pontos, seu menor nível desde novembro de 2005.

O termômetro de tecnologia Nasdaq caiu 4,94 por cento, para 2.098 pontos, registrando o menor nível desde agosto de 2006. O índice Standard & Poor's 500 teve desvalorização de 4,71 por cento, para 1.156 pontos, maior queda percentual desde 17 de setembro 2001, quando os mercados reabriram após os ataques de 11 de setembro.

As ações do Morgan Stanley afundaram 24,2 por cento para 21,75 por cento à medida que investidores se preocupavam se este irá sobreviver como um banco de investimento independente no atual cenário.

As ações do outro grande banco de investimento que continua independente, Goldman Sachs, caiu 13,9 por cento para 114,50 dólares, depois de chegar a operar abaixo de 100 dólares pela primeira vez em mais de três anos.

"O medo é: 'Quem será o próximo?"', afirmou John O'Brien, vice-presidente sênior da MKM Partners LLC. "Parece que as pessoas estão olhando para o mercado e dizendo, 'Quem será o próximo alvo que nós podemos colocar à venda?'. Isso provoca uma cadeia de temores contínuos."

A Casa Branca defendeu as ações do governo de ajudar a companhia de seguro AIG, afirmando que o plano visa aliviar a economia de forma mais ampla e afirmou que está "preocupado com outras companhias". .

Na noite de terça-feira, o Federal Reserve afirmou que a unidade nova-iorquina da instituição vai emprestar até 85 bilhões de dólares para o AIG em um plano que visa a salvar a seguradora de uma "falência desordenada" que poderia provocar uma devastação econômica. Mas nesta quarta-feira, investidores duvidavam se o plano seria suficiente. As ações da seguradora AIG derreteram 45,9 por cento.

"O que o amanhã vai trazer? Isto irá se espalhar para os consumidores? Será que teremos corrida aos bancos? Exite um milhão de coisas acontecendo", disse Angel Mata, diretora gerente de operações de ações listadas da Stifel Nicolaus Capital Markets.