Tesouro reitera intenção de emitir no exterior ainda este ano

quinta-feira, 17 de abril de 2008 14:15 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O Tesouro Nacional mantém a intenção de voltar a emitir títulos no exterior este ano, mas ainda aguarda uma redução da volatilidade nos mercados, afirmou nesta quinta-feira o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

"Estamos avaliando a evolução do mercado internacional, em especial as turbulências, e assim que acharmos que há condições de menor volatilidade... nós vamos voltar ao mercado", afirmou a jornalistas após audiência em comissão da Câmara.

Ele acrescentou que a intenção do governo é emitir em reais ou dólares.

O governo captou recursos no mercado externo pela última vez em junho do ano passado, com uma reabertura de bônus em reais com vencimento em 2028. Em janeiro, o secretário-adjunto do Tesouro Paulo Valle afirmou que o governo pretendia lançar novos papéis ainda no primeiro semestre, mas Augustin não confirmou o prazo.

"Não vou fixar uma data. Está previsto para este ano, continuamos com essa previsão", disse o secretário. Ele avaliou que nas últimas duas semanas o mercado internacional já apresentou uma melhora, mas ponderou que o Tesouro avalia "um conjunto de fatores" para tomar sua decisão.

Mais cedo, em depoimento à Comissão de Orçamento do Congresso, Augustin afirmou que o aumento da taxa básica de juros para 11,75 por cento ao ano terá impacto de 2,9 bilhões de reais sobre a dívida pública ao longo de um período de 12 meses.

O cálculo leva em conta apenas o reflexo direto do aumento do juro sobre os títulos atrelados à taxa Selic. Augustin disse ainda que não é possível avaliar o efeito do aperto monetário sobre o câmbio e a curva de juros do mercado porque isso "depende de muitas variáveis".

Na véspera, o Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu a maioria dos economistas com um aumento de 0,50 ponto percentual da Selic --o que aumenta o diferencial entre o juro doméstico e o praticado no exterior. A expectativa predominante é que os juros seriam elevados em apenas 0,25 ponto.

(Reportagem de Isabel Versiani)