17 de Janeiro de 2008 / às 21:59 / 10 anos atrás

Compra da MMX pela Anglo deve estar concluída em até 3 meses

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A operação de compra de parte dos ativos da MMX do empresário Eike Batista pela Anglo American acontecerá em etapas, sendo a primeira a cisão da companhia em três novas empresas: uma controlada pela Anglo, a NewCo, e duas que permanecem com o grupo EBX, uma de logística e outra com ativos remanescentes da MMX.

"A Newco vai receber duas das quatro minas de minério de ferro da antiga MMX, o sistema Amapá e o sistema Minas-Rio, e vai fazer uma oferta ao mercado para recomprar ações dos minoritários pelo mesmo valor que pagaram ao Eike", explicou o diretor jurídico da MMX, Paulo Gouvêa.

A MMX e a Anglo anunciaram nesta quinta-feira um contrato preliminar de negociação exclusiva pelo qual a mineradora sediada em Londres vai pagar 5,5 bilhões de dólares por parte da MMX, ou 361,12 dólares por ação. O empresário brasileiro receberá o correspondente a 68 por cento desse total. Além disso, terá direito a royalties a partir de 2023 no sistema Amapá e depois de 2025 no sistema Minas-Rio.

"No final das contas, o acionista que tinha uma ação da MMX vai ter três ações, a que já tinha, uma da LLX e outra da Newco", disse Gouvêa, que estima em dois ou três meses o prazo para concluir a operação e mais um mês para a oferta pública.

Toda a estrutura de logística do grupo continuará com Eike Batista, concentrados na LLX, que também terá seu capital aberto, além de ativos de mineração que permaneceram no grupo, como Sistema Corumbá --em negociação para venda de participação minoritária--, AVG Mineração S.A., a recém-adquirida Minerminas e outros direitos minerários a serem explorados, inclusive no Amapá.

"Os ativos que ficam dentro da MMX são maiores do que os que a gente vendeu, vendemos os ativos maduros e vamos desenvolver os novos...é um ciclo de criação de valor que se completa para o acionista", ressaltou o empresário Eike Batista, que disse buscar oportunidades em minério de ferro mas também em bauxita e urânio.

Ele disse apostar em aumento de preço de 40 por cento para o minério de ferro este ano. O empresário afirmou que a vocação da MMX sempre foi criar valor para os acionistas, e que em 18 meses aumentou em cinco vezes o valor de mercado da MMX, de 1,5 bilhão de dólares para 7,5 bilhões de dólares. "Nenhuma empresa no Brasil criou valor em tão pouco tempo", ressaltou.

LLX NA BOLSA

Batista aposta que a empresa de logística LLX vai se tornar a principal do setor no Brasil --hoje dominado pela Log-In--, principalmente pelo mega-projeto do Porto de Açu, no Rio de Janeiro, ligado ao sistema Minas-Rio, e onde serão construídos seis berços de atracação de navios viabilizando um novo pólo de desenvolvimento regional por volta de 2010.

"A LLX vai crescer eternamente e por isso é uma 'sardinha' nossa que não será vendida", disse o empresário.

Na abertura de capital da LLX serão ofertados 32 por cento dos 85 por cento que a MMX tem na empresa.

A previsão é que sejam instaladas siderúrgicas, refinarias, cimenteiras, entre outras indústrias, segundo Batista. Ele admitiu já estar negociando com uma siderúrgica, sem citar nomes, mas que poderá se instalar no complexo do Porto do Açu para produzir até 10 milhões de toneladas de aço bruto.

"Faz parte do nosso acordo com a Anglo atrair siderúrgicas, que vai precisar do minério que estará disponível a partir de 2012 no sistema Minas-Rio", destacou.

No mesmo local será construído um complexo termelétrico, com capacidade para 6 mil megawatts. Batista informou que já está negociando licenças ambientais para as três primeiras usinas, de 700 megawatts cada uma, que funcionarão a carvão e estarão prontas em 2011.

"As outras provavelmente serão a gás, porque vai se achar muito gás nesse país", disse Batista, que há poucos meses se tornou um dos maiores exploradores de petróleo e gás brasileiro ao arrematar várias áreas em leilão do governo.

No Porto do Açu, já em construção, o empresário estima investimentos de 700 milhões de dólares, enquanto prevê que as empresas que serão instaladas em torno devem investir algo em torno de 30 bilhões de reais.

Sobre a possibilidade de uma crise causada pela redução no crescimento da economia norte-americana afetar seus ambiciosos planos de crescimento, Batista foi taxativo: "Entendo que o ciclo de crescimento da China ainda dura no mínimo 20 anos e de forma robusta, um pequeno decréscimo agora na economia não importa, nossos projetos são para 2010", disse apostando em recuperação no médio prazo.

Edição de Eduardo Simões

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