17 de Junho de 2008 / às 17:48 / em 9 anos

Bancos centrais reduzem ameaças sobre alta dos juros

Por Mike Dolan

LONDRES (Reuters) - O Federal Reserve, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra reduziram nesta terça-feira as expectativas por aumentos agressivos nas taxas de juros para conter a inflação.

O alívio inicial veio de autoridades do Fed que disseram separadamente a dois jornais internacionais que o banco central norte-americano não deve elevar o juro nos próximos meses a menos que as perspectivas inflacionárias piorem.

As reportagens, publicadas nas edições do Financial Times e do Wall Street Journal, citaram “autoridades do Fed” e disseram que as especulações do mercado de que o Fed poderia elevar a taxa de juro diversas vezes neste ano é provavelmente um exagero.

“Eles (as autoridades do Fed) não contestam que o próximo movimento da taxa de juro dos EUA é provavelmente para cima. Mas eles sentem que o mercado pode estar precificando muito antecipadamente um aperto muito forte”, afirmou o Financial Times.

O artigo do Wall Street Journal afirma que a reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed, na próxima semana, “não deve ir tão longe para atender as expectativas do mercado com uma alta no juro antes de agosto”.

PERSPECTIVAS MONETÁRIAS

A queda do dólar foi limitada à medida que autoridades do BCE também fizeram comentários mais brandos em relação à perspectiva da política monetária.

O membro da diretoria executiva do banco, Lorenzo Bini Smaghi, foi citado dizendo que uma alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juro do BCE poderia ser suficiente para trazer a inflação da zona do euro de volta para o patamar desejado, abaixo de 2 por cento.

“Em nossa visão, tal aperto da política monetária, que eu classificaria de importante, mesmo sendo de apenas 0,25 ponto percentual, deve ser o suficiente para trazer a inflação de volta para baixo da meta de 2 por cento nos próximos 18 a 24 meses”, disse ele em entrevista ao diário italiano Il Sole 24 Ore, publicada nesta terça-feira.

Após assustar os mercados de juros europeus no início do mês com um alerta sobre a possibilidade de elevação da taxa básica em julho, os mercados financeiros já consideram a chance do BCE promover um aumento de 0,25 ponto, para 4,25 por cento no próximo mês, e um outro ainda neste ano.

Economistas disseram que a mudança de tom ressalta o dilema da política macroeconômica enfrentado pelos bancos centrais à medida que eles se deparam com sinais conflituosos de inflação crescente e crescimento econômico declinante.

“Eles estão olhando para o pico da inflação, mas toda vez que eles olham, o pico está um pouco mais alto”, disse Geoffrey Dicks, economista do RBS, em Londres.

Ainda assim, as expectativas de alta do juro foram abatidas pelo Banco da Inglaterra nesta terça-feira, mesmo após a divulgação da inflação no Reino Unido em maio, que atingiu 3,3 por cento --acima das previsões e mais de 1 ponto percentual acima da meta de inflação perseguida pelo banco.

Em uma carta para o governo explicando a escalada dos preços, o banco central britânico afirmou que, enquanto a inflação pode ainda passar de 4 por cento neste ano devido aos altos preços dos alimentos e dos custos de combustíveis, o foco continua sendo trazer o indicador de volta para sua meta de 2 por cento dentro de dois anos.

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