PANORAMA2-Fraqueza de bancos e economia dos EUA devolvem cautela

terça-feira, 17 de junho de 2008 18:10 BRT
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 17 de junho (Reuters) - A terça-feira foi tumultuada nos Estados Unidos, com queda das bolsas em meio à preocupação renovada com o setor financeiro e com diminuição das apostas em uma alta do juro após dados que reafirmaram a fragilidade da maior economia do mundo.

A baixa das ações foi liderada pelo setor financeiro, que segundo um relatório do Goldman Sachs pode precisar levantar nos Estados Unidos 65 bilhões de dólares adicionais. Os bancos do país, de acordo com o estudo, já tomaram cerca de 120 bilhões de dólares para lidar com a crise global de crédito.

O próprio Goldman (GS.N: Cotações) lembrou ao mercado que os balanços das instituições financeiras ainda não se livraram do fantasma recente. O lucro do banco de investimento, ainda que maior do que o esperado, caiu 11 por cento no segundo trimestre.

O humor dos investidores foi abalado também pela queda de um dado do setor imobiliário para o nível mais fraco em mais de 17 anos. O início de construção de moradias recuou 3,3 por cento em maio, para taxa anualizada de 975 mil unidades.

O resultado, junto com uma alta dentro do esperado do núcleo do índice de preços no atacado (PPI, na sigla em inglês), fez o mercado diminuir a projeção de uma alta do juro no curto prazo. A avaliação foi corroborada por duas reportagens, do Financial Times e do Wall Street Journal, que mostraram um Fed propenso a manter o juro na reunião deste mês.

A possibilidade de um Fed mais complacente no cenário de juro enfraqueceu o dólar em todo o mundo, com reflexos no Brasil. Aqui, com o combustível extra da entrada de capitais na bolsa e em outros investimentos, a moeda norte-americana fechou no menor nível desde janeiro de 1999.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ficou alheia ao pessimismo externo, puxada principalmente pelas ações da Vale (VALE5.SA: Cotações) e de empresas siderúrgicas.

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