Protógenes afirma que deixa Satiagraha em áudio divulgado por PF

quinta-feira, 17 de julho de 2008 19:15 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - Em trechos editados do áudio da reunião da Polícia Federal, na última segunda-feira, divulgados pela instituição nesta quinta, o delegado da Operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, afirma que não pretende prosseguir à frente do inquérito mesmo depois do Curso Superior de Polícia que irá frequentar.

Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça, a divulgação da gravação foi iniciativa do titular da pasta, Tarso Genro, e do diretor-geral interino da PF, Romero Menezes. Os dois teriam apresentado a idéia ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião emergencial no Palácio do Planalto nesta quinta-feira.

A intenção do governo é rebater os rumores de que Queiroz teria se afastado por pressões políticas. Na quarta-feira, o presidente Lula defendeu a permanência do delegado até a conclusão do inquérito.

Dividido em três partes, o áudio basicamente mostra as vozes de Protógenes Queiroz e do diretor de Combate ao Crime Organizado, Roberto Troncon, embora mais pessoas estivessem presentes à reunião que tratou do afastamento dos delegados da Operação Satiagraha.

Um dos trechos já começa com Queiroz dizendo que "até mesmo depois da academia eu não pretendo", dando a entender que se referia ao comando do inquérito, o que se deduz pelo prosseguimento do áudio.

"Minha proposta é: eu fico até o final da operação, eu criei um problema para os meus colegas delegados e eu acredito que para você (Troncon) também, e a minha proposta é essa: permanecer a minha vinculação no seu gabinete até o final desse trabalho para não ficar aquela pecha de que Brasília vem fazer operação nos Estados e deixa as coisas pelo meio do caminho. As minhas nunca ficaram no meio do caminho, e a exemplo dessa não vai ficar, só que com um diferencial: eu não pretendo presidir nenhuma investigação, ficarei no apoio, coletando dados, analisando", diz Queiroz.

Nesse momento, Troncon o interpela:

"Se eventualmente, dentro do desdobramento natural desse inquérito que você instaurou, se você concluir antes do seu período de ir para a Academia, sem nenhum problema. Agora, se não conseguir, dentro da melhor técnica, se falar não, se requer mais tempo, a gente redistribui para os colegas aqui."

Em outro trecho da gravação, perguntam a Queiroz se ele conseguirá concluir o relatório até sexta-feira. O delegado responde que só faltava ouvir Humberto Braz, suspeito de ter tentado subornar a Polícia Federal a mando do banqueiro Daniel Dantas. Ex-presidente da Brasil Telecom, Braz entregou-se à PF no fim de semana. "Se o Humberto se apresentou, acredito que não tenha óbice", respondeu.   Continuação...