Jobim pede calma a militares prevendo protestos na Providência

terça-feira, 17 de junho de 2008 19:52 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, pediu nesta terça-feira ao Exército tolerância no relacionamento com moradores do Morro da Providência, indignados pela morte de três jovens que foram abordados por militares.

Segundo Jobim, que viajou ao Rio para acompanhar o caso, a morte dos três rapazes vai gerar provocações às quais os militares não devem reagir.

Onze militares estão presos desde domingo, acusados de ligação com a morte de três jovens do Morro da Providência. Alguns deles confessaram à polícia que entregaram os jovens a traficantes do Morro da Mineira, de uma facção rival à da Providência (centro do Rio) para dar um "corretivo".

Os jovens foram abordados no sábado, na Providência, e seus corpos foram encontrado no aterro sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias.

Os militares, que alegaram desacato à autoridade por parte dos jovens, estão detidos no Batalhão de Polícia do Exército, na zona norte do Rio.

"A conduta de vocês nos próximos dias tem que passar necessariamente por isso: tolerância, compreensão e solidariedade à comunidade, que foi brutalmente atingida", disse Jobim a cerca de 200 militares na sede do 57o Batalhão do Exército, onde alguns dos homens envolvidos no caso estavam lotados.

"As provocações que eventualmente possam acontecer, seguramente acontecerão, não podem ensejar nenhum tipo de reação. Há de se ter tolerância e compreensão, porque algumas pessoas foram atingidas no reduto mais importante, a vida dos seus irmãos", afirmou o ministro, que considera as manifestações do moradores legítimas.

Na segunda-feira, houve protestos no Morro da Providência e na frente do Comando Militar do Leste, pedindo a saída dos militares do local.

"Essas pessoas têm razão do extravasamento do seu ódio e da sua angústia", afirmou o ministro.   Continuação...