17 de Junho de 2008 / às 22:54 / 9 anos atrás

Jobim pede calma a militares prevendo protestos na Providência

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, pediu nesta terça-feira ao Exército tolerância no relacionamento com moradores do Morro da Providência, indignados pela morte de três jovens que foram abordados por militares.

Segundo Jobim, que viajou ao Rio para acompanhar o caso, a morte dos três rapazes vai gerar provocações às quais os militares não devem reagir.

Onze militares estão presos desde domingo, acusados de ligação com a morte de três jovens do Morro da Providência. Alguns deles confessaram à polícia que entregaram os jovens a traficantes do Morro da Mineira, de uma facção rival à da Providência (centro do Rio) para dar um "corretivo".

Os jovens foram abordados no sábado, na Providência, e seus corpos foram encontrado no aterro sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias.

Os militares, que alegaram desacato à autoridade por parte dos jovens, estão detidos no Batalhão de Polícia do Exército, na zona norte do Rio.

"A conduta de vocês nos próximos dias tem que passar necessariamente por isso: tolerância, compreensão e solidariedade à comunidade, que foi brutalmente atingida", disse Jobim a cerca de 200 militares na sede do 57o Batalhão do Exército, onde alguns dos homens envolvidos no caso estavam lotados.

"As provocações que eventualmente possam acontecer, seguramente acontecerão, não podem ensejar nenhum tipo de reação. Há de se ter tolerância e compreensão, porque algumas pessoas foram atingidas no reduto mais importante, a vida dos seus irmãos", afirmou o ministro, que considera as manifestações do moradores legítimas.

Na segunda-feira, houve protestos no Morro da Providência e na frente do Comando Militar do Leste, pedindo a saída dos militares do local.

"Essas pessoas têm razão do extravasamento do seu ódio e da sua angústia", afirmou o ministro.

Jobim classificou o envolvimento dos militares como um ato abominável e desprezível e garantiu que a justiça será feita de forma implacável. O ministro afirmou ainda que não há dúvidas sobre os fatos e reiterou que a ação dos militares foi equivocada e não será acobertada pelas Forças Armadas.

As mortes causaram profunda indignação no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tanto pelo fato em si quanto pela participação das Forças Armadas no episódio, segundo a assessoria da Presidência.

Os militares do Exército estavam na Providência para participar de um projeto social de reforma de casas, do senador e bispo da Igreja Universal Marcelo Crivella (PRB), candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. O projeto tem apoio do Ministério das Cidades.

Jobim foi ao batalhão e ao Morro da Providência acompanhado do comandante do Exército, general Enzo Peri, que também repudiou a participação dos militares. A escolta foi feita por cerca de 30 militares do Batalhão de Guarda do Exército e seguranças do ministério com coletes à prova de bala e armados.

No Morro da Providência, Jobim e o general conheceram as obras e se reuniram com representantes de moradores. O ministro foi convidado a entrar na casa da tia de uma das vítimas, onde tomou um café e reiterou sua promessa de justiça. (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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