Com Vale e siderúrgicas, Bovespa ignora NY e sobe 1,7%

terça-feira, 17 de junho de 2008 18:17 BRT
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Expectativas de preços crescentes para minério de ferro e aço impulsionaram as ações de empresas ligadas a esses setores na Bolsa de Valores de São Paulo, que fechou com a segunda maior alta do mês. Emborca tenha perdido fôlego no final da tarde, o Ibovespa fechou com valorização de 1,71 por cento, aos 68.437 pontos, distante do comportamento negativo de Wall Street. O giro financeiro na bolsa somou 6,035 bilhões de reais.

As ações preferenciais da Vale subiram 3,2 por cento, a 48,50 reais. O otimismo do mercado acompanhou a tendência internacional do setor, em meio à alta do preço do minério de ferro.

Esse bom humor com a mineradora brasileira foi turbinado pelo aviso de que a Standard & Poor's pode elevar o rating da companhia, caso a Vale seja bem-sucedida na oferta pública para captar até 15 bilhões de dólares.

Em outra frente, a sinalização de que as siderúrgicas querem reajustar os preços do aço no mercado doméstico pela terceira vez em 2008 também repercutiu no mercado. Quem captou mais fortemente essa reação foram as ações preferenciais da Gerdau Metalúrgica, com um salto de 7 por cento, a 57,45 reais.

"Alguns investidores acabaram desmontando posições em outros papéis de menor liquidez para comprar papéis de Vale e siderúrgicas, que estavam bastante machucados", disse Júlio Martins, diretor da Prosper Gestão de Recursos.

Esse apetite por compras acabou se espalhando pelo mercado, atingindo até as ações preferenciais da Petrobras, que subiram 1 por cento, a 46,25 reais, mesmo com a queda dos preços do petróleo.

Para Martins, um fator que pode explicar esse movimento é a proximidade do vencimento dos contratos de opções sobre índice futuro, nesta quarta-feira.

Nesse contexto, uma das poucas a andar na contramão foi a AmBev, cujas ações preferenciais tiveram o pior desempenho do Ibovespa, caindo 2,95 por cento, para 108,20 reais.

Em relatório divulgado nesta terça-feira, o Unibanco apontou que as margens da companhia podem ser prejudicadas, caso o governo aprove mudanças no sistema de tributação sobre as empresas de bebidas.