December 17, 2007 / 6:01 PM / 10 years ago

Cenário de inflação piora; o que o Fed pode fazer?

4 Min, DE LEITURA

Por Ros Krasny

CHICAGO, Estados Unidos (Reuters) - O aumento da inflação complicou a situação para o Federal Reserve, que tenta evitar uma possível recessão nos Estados Unidos ao mesmo tempo em que lidera o esforço para juntar os pedaços do mercado monetário global.

Muitos analistas temem que o Fed não tenha escolha a não ser continuar com a estabilização dos mercados financeiros antes de voltar para o primeiro objetivo dos bancos centrais, o combate à inflação, mesmo que os preços fiquem mais descontrolados nesse intervalo.

"Os responsáveis pela política monetária estão fazendo o melhor para tirar o sistema financeiro da UTI. A inflação não é a prioridade imediata deles", disse Stephen Cecchetti, professor da Brandels International Business School, em Waltham, Massachusetts.

Na quarta-feira, o Fed, junto com outros bancos centrais ao redor do mundo, definiu uma série de medidas para facilitar o acesso a dinheiro por bancos com problemas.

No mínimo, a alta da inflação "aumenta a chance de que o banco central insista em soluções alheias à política de juros para aumentar a liquidez do mercado monetário em dificuldades", disse Ashraf Laidi, analista-chefe de câmbio da CMC Markets US, em Nova York.

O índice de preços ao consumidor em novembro, que foi divulgado na sexta-feira e mostrou um salto inesperado tanto no resultado cheio quanto no núcleo dos preços, certamente sepultou potenciais cortes nos juros.

A inflação ao consumidor nos Estados Unidos subiu para 4,3 por cento nos 12 meses até novembro, maior nível desde junho de 2006, e o núcleo do índice --sem os voláteis preços de energia e alimentos-- avançou para 2,3 por cento no mesmo período. Isso limitou a abertura do Fed para reduzir os juros em 2008.

"A alta da inflação não é um bom agouro para um mercado apaixonado por juros baixos", disse Eugenio Aleman, economista-sênior da Wells Fargo Economics.

"Simplesmente Loucura"

Os derivativos que projetam a expectativa sobre as decisões do Fed reduziram as chances de um corte nos juros em janeiro para no mínimo 74 por cento, menor nível desde 28 de novembro. Na quinta-feira, esse corte era praticamente dado como certo.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) reduziu a taxa básica de juros em 1 ponto percentual desde meados de setembro, para 4,25 por cento, mas muitos observadores do Fed diziam que taxas menores estavam a caminho.

"As apostas de redução dos juros para algo como 2,5 e 2 por cento são simplesmente loucura. Eu acho que parte desses dados de inflação estão essencialmente confirmando isso", disse Michael Darda, economista-chefe da MKM Partners, em Greenwich, Connecticut.

O spread entre os títulos de 10 anos do Tesouro e os títulos de 10 anos indexados à inflação saltou para quase 2,4 por cento na sexta-feira, ante 2,28 por cento durante a semana, mostrando o alarme do mercado com a possibilidade de que o Fed possa ter as mãos atadas na luta contra a inflação.

"A coisa que esse Fed menos quer ver são expectativas de inflação ficando desalinhadas. Mesmo assim, os dados de hoje sugerem que isso está ocorrendo", disse Bernard Baumohl, diretor-gerente do Grupo de Perspectivas Econômicas em Princeton Junction, Nova Jersey.

Cecchetti, um ex-diretor de pesquisas do Fed de Nova York, chamou os números da inflação ao consumidor de "assustadores" e que os detalhes dos dados foram "muito perturbadores".

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below