Em crise, governo boliviano ressalta apoio de Lula e Bachelet

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007 15:58 BRST
 

Por Carlos Alberto Quiroga

LA PAZ (Reuters) - O governo da Bolívia destacou nesta segunda-feira o apoio que recebeu dos presidentes do Brasil e do Chile em meio à crise política no país. O governo também reiterou sua disposição de dialogar com os governadores de oposição que buscam autonomia de seus Departamentos.

No dia seguinte a uma reunião trilateral em La Paz entre o presidente Evo Morales e seus colegas Luiz Inácio Lula da Silva e Michelle Bachelet, o porta-voz do governo boliviano, Alex Contreras, disse que o encontro teve um grande significado.

"A presença dos presidentes Lula e Bachelet é muito importante para o país", afirmou o porta-voz à rádio Fides, enquanto ainda acontecia a visita oficial de Lula à Bolívia.

Os três países lançaram no domingo um projeto para construir um corredor de mais de 4.000 quilômetros para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico.

"Nestes momentos de suposta crise buscada por alguns setores sociais, chegam os presidentes irmãos, amigos, para apoiar a gestão do presidente Evo Morales, para fortalecer o sistema democrático e para enviar uma mensagem de unidade. Para nós a unidade é importante", acrescentou.

Lula e Bachelet não economizaram sinais de apoio e amizade em relação a Morales, que promove uma "refundação" constitucional na Bolívia para dar mais poder à maioria indígena e consolidar a nacionalização da economia.

O primeiro presidente indígena boliviano, que é também um aliado próximo do governante venezuelano, Hugo Chávez, recebeu Lula e Bachelet um dia após ter liderado uma grande celebração indígena-militar de aprovação à nova Constituição.

A reforma constitucional do país mais pobre da América do Sul precisa ser aprovada em dois referendos antes de entrar em vigor.

Os governadores dos quatro Departamentos rebeldes --Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando-- pediram nesta segunda-feira a Morales, mediante uma carta aberta publicada em jornais, por "um diálogo franco e aberto, com resultados e respeito à lei e ao Estado de Direito", a fim de diminuir a tensão política.

Contreras disse que o governo não reconhecia oficialmente a solicitação, mas que estava decidido a abrir diálogo, que foi proposto há duas semana por Morales.