December 17, 2007 / 7:41 PM / 10 years ago

Preços elevados dos grãos favorecerão Brasil, diz Perdigão

5 Min, DE LEITURA

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 17 de dezembro (Reuters) - Os preços dos grãos em seus maiores patamares históricos vão viabilizar a produção em regiões com problemas logísticos, como o Centro-Oeste, e ao mesmo tempo aumentarão a competitividade de produtores de carnes do Brasil, avaliou o presidente do Conselho de Administração da Perdigão PRGA3.SA, Nildemar Secches.

As cotações dos principais grãos, como soja, milho e trigo, estão em seus maiores níveis na bolsa de Chicago, referência internacional para esses produtos.

A soja tem sido cotada nos últimos dias nos maiores patamares de preço em 34 anos na bolsa de Chicago, enquanto o trigo registrou novo recorde histórico nesta segunda-feira, rompendo a barreira dos 10 dólares por bushel. O milho atingiu o maior valor em 11 anos.

"Isso vai viabilizar toda a região Centro-Oeste para grão. Antes (dessa alta dos preços), o custo de transporte inviabilizava", disse Secches, a jornalistas.

Os agricultores do Centro-Oeste, região que já foi considerada um novo eldorado para a agricultura, foram fortemente atingidos em safras recentes pela valorização do real ante o dólar, que trouxe à tona problemas com custos elevados de armazenagem e transporte.

E, embora dominem a produção de soja no Brasil, ainda carregam elevadas dívidas adquiridas em períodos anteriores, quando sofreram com preços pouco remuneradores e aumento de custos.

Mas, segundo o dirigente da Perdigão, uma das maiores do setor de alimentos do Brasil, mantidas as projeções de utilização de matérias-primas agrícolas para a produção de biocombustíveis e a tendência de aumento no consumo de alimentos no mundo, o Centro-Oeste voltará a se beneficiar.

Segundo ele, apesar de a questão inflacionária "ser um problema mundial", decorrente em parte dos maiores custos com produtos agrícolas, o Brasil vai se beneficiar por ser mais competitivo que outras nações --ainda dispõe, por exemplo, de vastas áreas agricultáveis para ampliar a produção.

Além disso, as indústrias brasileiras cada vez mais se posicionam no Centro-Oeste, onde a matéria-prima é mais barata, o que reduz os custos de produção. "Isso vai colocar as indústrias mais competitivas em todos os segmentos do mercado de derivados de grãos, de leite, aves, suínos", disse ele, lembrando que compensa mais transportar, a partir de áreas distantes, o produto acabado do que a matéria-prima.

Essa competitividade do produto brasileiro deve ocorrer mesmo com repasse de preços, uma tendência que vem sendo adotada também pela indústria brasileira.

SUÍNOS PARA UE

Apesar das recentes ameaças da União Européia de ampliar as restrições à carne bovina do Brasil, a indústria de carnes de suínos está de olho na possibilidade de, no curto prazo, começar a exportar o produto de Santa Catarina, considerada pela Organização Internacional de Saúde Animal livre de aftosa sem vacinação.

"Vejo a possibilidade de a Europa comprar de Santa Catarina. A probabilidade para ocorrer em 2008 não é alta. Para 2009 é mais provável."

A venda de carne suína de Santa Catarina só não ocorre ainda porque uma decisão política não foi tomada.

Mas a partir do momento que a UE decidir comprar cortes suínos do Brasil, disse Secches, a indústria do país será ainda mais competitiva. "É preciso mais grãos por quilo para produzir suínos, é por isso que todo mundo tem receio de abrir ao Brasil."

Segundo Secches, a indústria brasileira está bem posicionada em Santa Catarina, e poderia abocanhar grandes fatias de mercado. O país, o quarto exportador de carne suína, já lidera em aves e cortes bovinos.

Edição de Marcelo Teixeira

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