17 de Novembro de 2007 / às 14:41 / em 10 anos

Enviado dos EUA tenta reviver acordo entre Musharraf e Bhutto

Por Simon Cameron-Moore

ISLAMABAD (Reuters) - O enviado norte-americano John Negroponte reuniu-se com o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, no sábado para pressioná-lo a revogar o estado de exceção e fazer a paz com o líder de oposição Benazir Bhutto.

Temendo perder um importante aliado em um momento em que a Al Qaeda tem se reagrupado em territórios tribais do Paquistão, o vice-secretário de Estado dos Estados Unidos tem como objetivo recuperar um acordo celebrado entre Bhutto e Musharraf, que foi abandonado depois que o presidente paquistanês impôs estado de exceção em 3 de novembro no país.

Os Estados Unidos querem que o general Musharraf liberte milhares de advogados, ativistas de oposição e de direitos humanos, além de encerrar o estado de exceção para a ocorrência de eleições livres e justas que podem ocorrer a qualquer momento antes de 9 de janeiro.

Mas autoridades norte-americanas também temem que qualquer um que substitua Musharraf poderá não apoiar tanto a guerra norte-americana contra o terrorismo, afirmam observadores paquistaneses.

“Os americanos estão nervosos sobre não terem Musharraf no comando do Paquistão”, disse uma autoridade próxima da Presidência do Paquistão.

Negroponte, que planeja conceder uma entrevista coletiva no domingo, teve reuniões com o general Ashfaq Parvez Kayani, que assumirá o comando do Exército paquistanês quando Mushrraf deixar o posto. O enviado norte-americano também reuniu-se com o chefe da Inteligência paquistanesa, Nadeem Tak, e com Khursheed Mehmood Kasuri, ministro de Relações Exteriores no governo que encerrou mandato de cinco anos na quinta-feira.

Musharraf, que assumiu o poder em um golpe em 1999, tem dito que espera deixar o posto de chefe do Exército para ficar como presidente civil.

Na sexta-feira, Musharraf assumiu um governo interino, formado por pessoas da Liga Muçulmana Paquistanesa consideradas suas aliadas, depois que a Assembléia Nacional foi dissolvida no dia anterior.

Dependendo de como as eleições sejam feitas, um cada mais impopular Musharraf pode acabar ficando no poder, mas com um suporte limitado se a legenda de Bhutto, Partido do Povo Paquistanês, não o apoiar.

As turbulências tem elevado preocupações sobre o país que tem armas nucleares e gerado receios de que o Exército paquistanês pode ficar distraído no combate à militância.

Em entrevista à BBC no sábado, Musharraf disse que “o Exército está presente, enquanto os militares estiverem presentes, nada acontecerá a ativos estratégicos, nós estamos no comando e ninguém fará nada com eles”.

O Exército do Paquistão informou jornalistas no sábado que lançou uma grande operação com 15 mil tropas para tirar centenas de militantes do Vale Swat, no noroeste do país.

(Reportagem adicional por Sheree Sardar e Robert Birsel em Islamabad e Faisal Aziz, em Karachi)

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