PANORAMA1-Resgate da AIG pode garantir sessão mais calma

quarta-feira, 17 de setembro de 2008 08:17 BRT
 

SÃO PAULO, 17 de setembro (Reuters) - Durou bem pouco a posição do governo dos Estados Unidos de não usar dinheiro público para salvar empresas privadas.

Numa decisão surpreendente, o banco central dos Estados Unidos anunciou no final da noite de terça-feira um empréstimo de 85 bilhões de dólares para a seguradora American International Group (AIG.N: Cotações), apenas um dia depois de ter deixado o banco Lehman Brothers LEH.N entrar com um pedido de proteção contra falência e dizer que não colocaria dinheiro do contribuinte nas empresas que estão sendo consumidas pela crise do sistema global financeiro.

O resgate da seguradora gerou efeitos imediatos nos mercados asiáticos e europeus.

A bolsa de valores de Tóquio encerrou o pregão com alta superior a 1 por cento. Na Europa, o principal índice de ações do continente .FTEU3 chegou a subir 1 por cento, e operava com valorização de 0,75 por cento, por volta das 8h (horário de Brasília).

O Federal Reserve vai emprestar dinheiro para a AIG e passará a deter 80 por cento da companhia. Ao anunciar a decisão, o BC dos EUA afirmou que uma falência desordenada da AIG poderia aumentar os "já significativos níveis de fragilidade do mercado fianceiro e levar a um aumento substancial dos custos do crédito".

Apesar de bem-vinda, a notícia deixou alguns analistas desconfiados sobre qual será a posição do governo norte-americano diante das possíveis próximas vítimas da crise que se arrasta há mais de um ano.

"Salvar a AIG é uma boa coisa, mas estamos vendo uma posição dupla aqui. Por que o Fed está ajudando a AIG, mas não o Lehman? A menos que as autoridades norte-americanas apresentem uma posição clara sobre quem será ajudado e quem não será, a agitação do mercado vai continuar", afirmou Koichi Haji, economista-chefe do NLI Research Institute, em Tóquio.

No Brasil, a agenda de indicadores econômicos é fraca, o que reforça a tendência de que os mercados vão trabalhar a reboque do cenário internacional.

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