Com voto de vice, Senado impõe derrota a Cristina Kirchner

quinta-feira, 17 de julho de 2008 07:43 BRT
 

Por César Illiano e Jorge Otaola

BUENOS AIRES (Reuters) - O Senado argentino deu um duro golpe no governo ao rejeitar um projeto que aumentava os impostos aos exportadores agrícolas, em uma dramática decisão tomada pelo vice-presidente do país.

Após 18 horas de debates, a votação do projeto entre os senadores ficou empatada em 36 votos em plena madrugada. Coube ao vice-presidente argentino, Julio Cobos, também presidente do Senado, definir a situação.

Após meia hora de suspense e visivelmente nervoso, Cobos decidiu derrubar a proposta, promovida pelo governo da presidente Cristina Kirchner, que assumiu há sete meses.

"A presidente entenderá. Não posso acompanhar, estou atuando de acordo com minhas convicções", disse Cobos com voz entrecortada.

A decisão de Cobos poderá marcar um divisor de águas no duro estilo de gestão de Cristina e de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, que tem forte influência no governo, já que ambos praticamente não enfrentaram uma oposição sólida nos últimos cinco anos.

O resultado da votação foi comemorado por dezenas de representantes do setor agrícola em um parque da cidade, onde acompanharam os debates em telões durante todo o dia. Líderes de entidades rurais agradeceram aos produtores que, desde março, resistiram à cobrança do imposto com greves e bloqueios de estradas.

"Graças aos milhares de cidadãos que nos ajudaram a escrever este momento... Agora tranquilos, com maturidade, com grandeza, vamos aproveitar esta oportunidade", disse um eufórico Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina (FAA), líder de uma das quatro entidades rurais que enfrentaram o governo.

 
<p>O vice-presidente argentino, Julio Cobos, durante sess&atilde;o do Congresso em Buenos Aires. O Senado argentino deu um duro golpe no governo ao rejeitar um projeto que aumentava os impostos aos exportadores agr&iacute;colas, em uma dram&aacute;tica decis&atilde;o tomada pelo vice-presidente do pa&iacute;s. Photo by Marcos Brindicci</p>