October 17, 2008 / 7:05 PM / 9 years ago

Junto a Serra, FHC cita intervenção federal em conflito policial

5 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO, 17 de outubro (Reuters) - O confronto entre as polícias civil e militar, na véspera, dominou cerimônia nesta sexta-feira com integrantes do PSDB, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador José Serra, que serviria para reforçar a candidatura de Gilberto Kassab (DEM) à prefeitura de São Paulo.

Para Fernando Henrique, que chegou ao local acompanhado de Kassab, o conflito que deixou mais de 20 pessoas feridas é grave. O ex-presidente lembrou a necessidade de intervenção federal ocorrida em seu governo (1995-2002) em casos semelhantes.

"O conflito entre as duas polícias é coisa grave. Eu, quando presidente da República, assisti a vários e em alguns momentos fui obrigado a pedir tropas das Forças Armadas", afirmou a jornalistas, mencionando os Estados do Tocantins e da Bahia.

Questionado se o movimento tem motivação política, como defendeu Serra na quinta-feira, Fernando Henrique concordou. "Acho que sim, houve alguma influência eleitoral."

O ex-presidente mostrou-se confiante ao afirmar que a população de São Paulo é "madura" e "sabe perfeitamente separar um fato de reivindicação tópica com a decisão que é de interesse da população".

Os policiais civis, em greve há um mês, reivindicam 15 por cento de aumento neste ano e 12 por cento em 2009 e em 2010 e pretendiam ser recebidos no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, na zona sul da cidade, mas foram barrados pela PM.

Os manifestantes somavam cerca de 2.000 policiais civis, segundo estimativas. O enfrentamento, com uso de bombas de gás lacrimogêneo e tiros de borracha, durou cerca de uma hora, mas a tensão permaneceu no local por mais três horas.

Serra afirmou, como na véspera, que a manifestação teve motivação partidária e eleitoral, citando o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), da Força Sindical, como um dos líderes. O PDT é um dos partidos que apóia a candidatura de Marta Suplicy (PT), adversária de Kassab em São Paulo.

"Não há nenhuma intransigência por parte do governo (em negociar com os policiais). O governo tem as suas propostas, mas eles decidem que não são satisfatórias", disse Serra, argumentando que não há recursos para os aumentos pretendidos.

Possíveis punições por excessos ocorridos, como uso de armas e tiros, segundo o governador, vão depender das averiguações que serão feitas pelas corporações. Ele não mencionou prazos.

Já Kassab preferiu ser vago em relação ao uso eleitoral da greve.

"Não posso afirmar porque não acompanho de perto, porém acho lamentável se estiver acontecendo. Acompanhei e tenho informações, que são públicas, que alguns parlamentares e sindicatos, que são agentes externos aos delegados, participaram deste movimento procurando turbiná-lo ao invés de jogar água fria", disse.

A motivação da cerimônia foi o batismo do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, antropóloga que foi mulher de FHC e ex-primeira-dama, morta em junho deste ano.

Estavam presentes, pelo lado da prefeitura, os secretários tucanos Clóvis Carvalho (Governo), Andrea Matarazzo (Subprefeituras), Carlos Augusto Calil (Cultura) e Walter Aluísio Moraes Rodrigues (Finanças), além de subprefeitos e vereadores como Gilberto Natalini (PSDB) e Soninha Francine, candidada derrotada do PPS à prefeitura.

Do governo estadual, estavam o vice-governador Alberto Goldman, os secretários Francisco Vidal Luna (Planejamento), além de deputados federais como Arnaldo Madeira.

Reportagem de Carmen Munari; Edição de Mair Pena Neto

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