17 de Outubro de 2008 / às 19:30 / 9 anos atrás

Marta diz que governo é incapaz de negociar com policiais civis

SÃO PAULO, 17 de outubro (Reuters) - A candidata do PT à prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, acusou nesta sexta-feira o governo do Estado de ser incapaz de negociar com grevistas e se disse indignada com as declarações do governador José Serra.

Marta se referia à greve dos policiais civis de São Paulo, que já dura mais de um mês, e ao conflito com policiais militares, quinta-feira, nas redondezas do Palácio dos Bandeirantes, que deixou mais de 20 feridos. O governador Serra, que apóia Gilberto Kassab (DEM) à prefeitura da capital paulista, disse que houve motivação eleitoral na manifestação.

“Eu fiquei pasma com aquilo. Essa é uma reinvidicação dos delegados, das polícias desde há bastante tempo. Querer culpabilizar um partido político por uma incapacidade de negociação, eu não esperava isso do governador”, disse Marta após discurso a taxistas na Vila Mariana, zona sul da capital.

Serra afirmou que a manifestação dos policiais civis foi conduzida por interesses políticos de influenciar o segundo turno das eleições. O governador nominou a participação da CUT e da Força Sindical.

Em resposta, Marta disse que é esperada a presença de sindicatos no momento de uma reinvidicação, considerando necessária a participação da CUT e da Força Sindical na mesa de negociações.

“Pessoas que são ligadas à CUT, à Força Sindical, estarem presentes no momento da negociação salarial de suas categorias me parece que é o mínimo que uma pessoa, que entende de democracia, de negociação, deve saber”, disse a candidata petista. “Eu fico muito indignada como esse tipo de acusação”.

O vice de Marta, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), classificou a declaração de Serra como “indecente”.

“Ele podia explicar que não tinha condição de dar o reajuste. Que compreendia a insatisfação mas que podia negociar para fazer alguma coisa decente. E não dizer que a manifestação é política, porque isso é uma coisa indecente”, afirmou Aldo Rebelo.

Policiais civis e militares se confrontaram na quinta-feira durante manifestação por reajuste de salário. No conflito, policiais militares usaram bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha para intimidar os policiais civis que tentavam furar uma barreira e seguir para o Palácio dos Bandeirantes.

“Nós tivemos quatro anos de prefeitura e momentos muito difíceis, mas nós nunca usamos a força. Tínhamos uma mesa de negociação permanente”, disse Marta, que evitou comentar se o episódio entrará em seus programas eleitorais. “Se entra ou não, isso é outra situação”.

CASSAÇÃO

O coordenador de campanha de Marta Suplicy, deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), confirmou representação na Justiça Eleitoral para pedir a cassação do candidato-prefeito Gilberto Kassab (DEM).

A acusação é que Kassab usou a máquina pública municipal a seu favor em evento no qual anunciou um investimento de 198 milhões de reais da prefeitura na construção do metrô.

“Não é possível que o Tribunal nao enxergue essa evidência. A máquina pública municipal e a máquina pública estadual estão sendo usadas na campanha eleitoral”, disse Zarattini.

“Foi um evento feito pela prefeitura com stand, com solenidade, onde foi supostamente entregue um cheque e isso é simular inauguração de uma obra. A lei prevê que quando se utiliza recursos públicos para promoção de uma candidatura, configura-se um crime eleitoral. E a punição é a cassação”, acrescentou.

Reportagem de Alice Assunção, Edição de Mair Pena Neto

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below