VCP põe em banho-maria financiamento de US$1,8 bi para ARACRUZ

sexta-feira, 17 de outubro de 2008 16:26 BRT
 

SÃO PAULO, 17 de outubro (Reuters) - A Votorantim Celulose e Papel VCPA4.SA suspendeu plano para contratar linha de crédito de 1,8 bilhão de dólares que seria obtida junto ao JPMorgan na operação de fusão da empresa com a Aracruz ARCZ6.SA, informou nesta sexta-feira o presidente-executivo da VCP, José Luciano Penido.

A VCP tinha acertado em 23 de setembro carta de compromisso com o JPMorgan de financiamento para a compra de participação na Aracruz dentro da operação de união das companhias.

A empresa chegou a tomar um hedge de 600 milhões de dólares para se proteger de riscos de variação cambial decorrentes do financiamento e acabou liquidando a operação via marcação a mercado depois que a Aracruz divulgou no final de setembro forte exposição a derivativos cambiais que na época tinham valor justo de cerca de 1,95 bilhão de reais negativos.

"Esse hedge de 600 milhões estava vinculado ao empréstimo que seria tomado no dia 6 de outubro junto ao JPMorgan para o pagamento da operação, que não foi feito, então a VCP desfez a operação em 6 de outubro", disse o executivo, respondendo perguntas apenas de analistas reunidos em teleconferência.

"Nós não tomamos o empréstimo, foi negociada uma carta de compromisso com o JPMorgan para, na eventualidade de termos de prosseguir com a operação, nós termos garantido todo o financiamento da operação. Essa carta não se traduziu em contrato até porque o JPMorgan levantou cláusula de mudança material adversa e com isso esse contrato não prosseguiu", disse Penido, esclarecendo que a cláusula foi levantada por causa das perdas da Aracruz com derivativos.

Segundo a companhia, quando a negociação com a Aracruz avançar, e não há prazo para isso, a empresa estudará alternativas de financiamento necessárias.

Penido afirmou que a operação vai prosseguir "quando acharmos que voltou a haver uma racionalidade no mercado financeiro internacional e que os acionistas possam voltar a sentar e reendereçar a questão dos valores razoáveis para este negócio dentro do novo modelo econômico".

O executivo afirmou que a VCP não tem obrigação de prosseguir com a compra da participação da Aracruz sob as atuais condições (o negócio foi adiado por prazo indeterminado) e que acredita que os "valores pactuados poderão ser revistos para refletir a realidade do mercado". Eventuais multas a serem aplicadas caso ocorra uma desistência vão ser responsabilidade da Votorantim Industrial e não da VCP, afirmou.

Às 14h40, as ações da VCP operavam em queda de 3,98 por cento e as da Aracruz caíam 5,15 por cento enquanto o Ibovespa .BVSP saltava 4,65 por cento.   Continuação...