Pré-sal se estende até o Ceará, diz geólogo

sexta-feira, 17 de outubro de 2008 16:11 BRT
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 17 de outubro (Reuters) - A área do pré-sal se estende muito além dos 800 quilômetros estimados pela Petrobras, mas sem a participação da iniciativa privada na sua exploração o Brasil não conseguirá transformar em riqueza o combustível preservado no fundo do mar, alertou o geólogo e ex-funcionário da estatal Marcio Rocha Mello.

Segundo Mello, presidente da empresa de soluções tecnológicas HRT, a área do pré-sal se estenderia de Santa Catarina até o Ceará, onde ele como funcionário da Petrobras (PETR4.SA: Cotações) participou de uma perfuração em 1980.

"Furamos no Ceará e achamos sal e depois óleo. O que o governo fala está errado. A área do pré-sal é 10 vezes maior", afirmou a uma platéia predominantemente de advogados em evento sobre a nova área de exploração de petróleo promovido pela empresa de advocacia Veirano.

Ele afirmou que as reservas dessa grande faixa de reservatórios gigantes de petróleo poderiam conter mais de 100 bilhões de barris. Diante da magnitude da exploração, somente com a participação de capital privado poderia se agilizar a produção.

"As multinacionais já estão no pré-sal, não tem porque não abrir (licitações), tem que chamar o mundo inteiro para cá antes que a África o faça", disse, referindo-se às licitações que estariam para ocorrer no continente que também possui petróleo no pré-sal.

Segundo Mello, nas licitações na Áfirca os bônus atingem normalmente 1 bilhão de dólares.

Para o geólogo, o governo brasileiro poderia vender as áreas para exploração com bônus de assinatura em torno de 1 bilhão de dólares e taxas de mais de 80 por cento sobre a produção e ainda assim teria interessados.

"Se eu fosse o Lula pegava esse dinheiro do bônus e colocava na educação, ou vai ficar tudo (óleo) lá embaixo e ninguém vai aproveitar", sugeriu.   Continuação...