Dólar cai após Selic, mas ajustes e Wall St freiam baixa

quinta-feira, 17 de abril de 2008 16:26 BRT
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A alta do juro e o ingresso de divisas fizeram o dólar cair nesta quinta-feira pelo quarto dia seguido, mas a queda foi limitada pela fraqueza dos mercados internacionais e por ajustes após a longa sequência de desvalorização.

A moeda norte-americana caiu 0,36 por cento, para 1,658 real. É a menor cotação de fechamento desde 14 de maio de 1999, poucos meses após a adoção do câmbio flutuante.

Na quarta-feira, o Banco Central elevou o juro básico para 11,75 por cento ao ano e tornou mais atraentes as aplicações no Brasil --favorecendo a valorização da moeda local.

"O mercado já tinha quase certeza que a alta do juro ia existir. Vindo o teto dessa perspectiva (0,50 ponto percentual de elevação), o dólar confirmou o movimento e (o mercado) se animou na venda", disse Renato Schoemberger, operador da Alpes Corretora.

Mas a própria perspectiva de aumento do juro já vinha surtindo efeito sobre o dólar desde o começo do mês. Nas 13 sessões de abril, o dólar subiu em apenas uma. Por isso, a queda foi relativamente pequena. "Houve um pouco de realização (de lucros) de quem já vem vendendo (dólares)", acrescentou.

Analistas consultados pela Reuters durante a sessão avaliaram que a alta da Selic, esperada pelo mercado, teve seu efeito diluído nas últimas semanas. [nN17461773]

Schoemberger citou também a apatia das bolsas norte-americanas como um freio para a queda do dólar. "Se lá fora melhorasse, (o dólar) poderia cair mais."

Na metade da sessão, o Banco Central realizou um leilão de compra de dólares, com taxa de corte a 1,6597 real e ao menos quatro propostas aceitas, segundo operadores.