18 de Setembro de 2008 / às 13:15 / 9 anos atrás

Rendimento sobe pelo 3o ano, mas continua abaixo de 1997--Pnad

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O rendimento médio do trabalhador brasileiro aumentou em 2007 pelo terceiro ano, com alta de 3,2 por cento frente a 2006, mas ainda não recuperou as perdas acumuladas nos últimos dez anos e está 5 por cento abaixo do nível de 1997.

Os dados constam da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (Pnad), divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira.

O avanço de 3,2 por cento foi menor que o observado em 2006 (de 7,5 por cento ante 2005) e em 2005 (de 4,5 por cento frente a 2004).

“Isso pode estar relacionado com o aumento menor do salário mínimo em 2007”, explicou a economista do IBGE Márcia Quinstlr.

Segundo o IBGE, desde 2004 a renda do trabalhador brasileiro ocupado acumula crescimento de 15,6 por cento. Em 2007, o rendimento nominal alcançou 956 reais --valor ainda abaixo do verificado em 1997, que era de 1.011 reais.

“Os resultados da Pnad mostram que o patamar de rendimento médio real de 1997 ainda não foi retornado, embora tenha ocorrido ganho, especialmente entre 2004 e 2007”, informou o IBGE em relatório.

A alta do rendimento contribuiu para que o país registrasse em 2007 mais um pequeno avanço no índice de Gini, parâmetro internacional para avaliar as condições de vida da população.

O indicador passou de 0,540 em 2006 para 0,528 em 2007. Quanto mais próximo de zero, melhor é a condição de vida de um cidadão. Em 2004, o Gini era de 0,547 e em 2005, de 0,543.

Apesar da melhora, a concentração de renda no país permaneceu bastante aguda no ano passado, segundo a pesquisa.

“Os avanços mencionados, apesar de persistentes, são de baixo impacto no que se refere aos rendimentos mais baixos e mais elevados”, avaliou o documento.

“A despeito da redução do Gini, se verificou que, em 2007, os 10 por cento da população ocupada com mais baixos rendimentos detiveram 1,1 por cento dos rendimentos do trabalho, enquanto aos 10 por cento com os maiores rendimentos corresponderam 43,2 por cento do total das remunerações”, acrescentou o relatório. Esse comportamento se mostrou praticamente inalterado em relação aos anos anteriores.

O IBGE mostrou ainda melhora na escolarização, no acesso a serviços públicos e na aquisição de bens duráveis de 2006 para 2007.

A taxa de analfabetismo de um ano para o outro caiu de 10,4 para 9,9 por cento da população, mas 14,1 milhões de brasileiros não sabiam ler e escrever no ano passado. De acordo com o IBGE, em 1992 esse percentual atingia 17,2 por cento da população.

POPULAÇÃO OCUPADA

A Pnad revelou progressões no mercado de trabalho em 2007. O total de ocupados no ano passado cresceu 1,6 por cento ante 2006 e ficou em 90,8 milhões de pessoas. Além disso, o número de desocupados caiu 1,8 por cento, o equivalente a 8,1 milhões de pessoas ante 8,2 milhões em 2006.

A população ocupada aumentou 4,6 por cento na indústria e na construção civil; 3,6 por cento no comércio e 1,9 por cento no setor de serviços.

O emprego com carteira bateu recorde ao avançar 6,1 por cento em relação a 2006 sendo que no Nordeste a formalização avançou 8,5 por cento.

O emprego com carteira de trabalho atingiu 35,3 por cento da população ocupada depois de ficar em 33,8 por cento em 2006 e 33,1 por cento em 2005.

O emprego sem carteira encolheu 0,7 por cento em 2007 e o trabalho por conta própria subiu 1,5 por cento frente a 2006. O trabalho infantil no Brasil também diminuiu entre 2006 e 2007, ao passar de 5,1 milhões para 4,8 milhões de brasileiros com idade entre 5 e 17 anos.

SINDICALIZAÇÃO E PREVIDÊNCIA

Com mais pessoas trabalhando com carteira assinada, o número de contribuintes da Previdência Social bateu recorde em 2007. Pela primeira vez, o total de contribuintes superou mais da metade das pessoas ocupadas.

Segundo o IBGE, o número de contribuintes ficou em 51,1 por cento da população ocupada em 2007, percentual que já foi de 42,6 por cento em 1992.

A Pnad apontou que no ano passado 46,1 milhões de brasileiros contribuíam para a Previdência Social, 5,7 por cento a mais que em 2006.

“O avanço do trabalho com carteira e da contribuição para a Previdência representam ganhos e garantias importantes para os trabalhadores embora o número de pessoas sem assistência ainda seja relevante”, afirmou o economista do IBGE Cimar Azeredo Pereira.

Em 2007, a sindicalização perdeu força no Brasil, com queda de 3,3 por cento frente a 2006. No ano passado, eram 16 milhões de sindicalizados ou 17,7 por cento da população ocupada.

Ao longo de dez anos, o total de trabalhadores ligados a sindicatos subiu de 16,2 por cento da população ocupada, para 17,7 por cento.

Edição de Mair Pena Neto

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