Mantega: governo pode agir para garantir crédito para empresas

quarta-feira, 17 de setembro de 2008 11:57 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O governo brasileiro poderá tomar algumas medidas para garantir o financiamento dos investimentos no país, caso a escassez de crédito no mercado internacional perdure, afirmou nesta quarta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

"Se faltar crédito para investimento, para agricultura, para exportação, o governo tomará as medidas no sentido de supri-lo", disse a jornalistas.

Na avaliação do ministro, a escassez de crédito no mercado internacional já é um fato, e as empresas brasileiras que vinham captando recursos lá fora já não estão conseguindo levantar esse dinheiro ou estão tendo que pagar mais caro para a renovação das linhas de financiamento.

"Esse é um problema que pode ser passageiro e pode ser resolvido... Se isso se prolongar, nós poderemos tomar algumas medidas no sentido de estimular o crédito para investimento", afirmou o ministro.

Mantega esclareceu que as possíveis medidas de estímulo ao crédito seriam restritas aos investimentos, já que, segundo ele, não há falta de crédito para o consumo no país.

Em palestra feita na segunda-feira em São Paulo, Mantega reafirmou que a taxa de expansão do crédito ao consumidor no Brasil, em torno de 32 por cento, continua acima do que ele considera saudável.

No entender do ministro, o aperto no crédito é uma das poucas consequências da crise financeira internacional, que se arrasta há mais de um ano, sobre a economia brasileira até o momento.

Mantega comentou ainda que o socorro da seguradora AIG pelo governo dos Estados Unidos, anunciado na véspera, foi acertado.

"É uma grande empresa de seguros, com impacto na economia internacional. Foi adequado", disse. Ainda assim, o ministro acredita que o clima de instabilidade deve permanecer por mais tempo nos mercados financeiros.

Apesar de defender que o Federal Reserve, o banco central dos EUA, não deve ajudar todas as empresas em dificuldades, Mantega deixou claro que a atuação do Fed é correta ao tentar evitar um efeito dominó nos mercados.

"Quando você tem uma quebradeira generalizada, que atinge vários países, vários bancos, você tem que intervir. Se não, pode criar um problema maior", disse.