China diz estar usando moderação em crise no Tibet

segunda-feira, 17 de março de 2008 07:59 BRT
 

Por Chris Buckley e Lindsay Beck

PEQUIM (Reuters) - A China disse na segunda-feira que mostrou grande prudência para enfrentar os protestos violentos de tibetanos, que o governo chinês afirma terem sido orquestrados por seguidores do Dalai Lama que buscam ofuscar os Jogos Olímpicos de Pequim, marcados para agosto.

Mas apesar de o governador do Tibet afirmar que não foram usadas armas contra os manifestantes na capital regional Lhasa, tropas atuaram em regiões vizinhas para garantir o controle após os protestos.

Além disso, Lhasa vivia a contagem regressiva para o fim do prazo, que vence à meia-noite, dado pelas autoridades para que os manifestantes se entregassem ou enfrentassem punições mais duras.

O governador do Tibet, Qiangba Puncog, disse que as manifestações foram provocadas por seguidores do Dalai Lama. "Nesse momento um pequeno grupo de separatistas e elementos fora-da-lei se engajam em atos extremistas com o objetivo de gerar ainda mais publicidade para prejudicar a estabilidade durante o período crucial dos Jogos Olímpicos --mais de 18 anos de estabilidade duramente conquistada", disse.

Um tibetano da região de Aba, em Sichuan, disse que novos protestos aconteceram próximos a duas escolas tibetanas na segunda-feira, com centenas de estudantes enfrentando policiais e soldados.

O morador, que pediu para não ter seu nome revelado, disse que 18 pessoas, entre elas monges budistas e estudantes, foram mortas quando soldados abriram fogo contra eles no domingo. Mais cedo, segundo ele, um policial foi queimado e morto. Seus relatos não puderam ser imediatamente checados.

Representantes tibetanos exilados em Dharamsala, na Índia, disseram no domingo que o número de mortos na repressão aos protestos é de 80.

Mas Qiangba Puncog disse que somente 13 "civis inocentes" foram mortos e dezenas de integrantes das forças de segurança ficaram feridos em Lhasa.

"Posso dizer com toda responsabilidade que não usamos armas letais", disse ele em Pequim, acrescentando que somente gás lacrimogêneo e canhões de água foram usados para debelar as manifestações.

(Resportagem adicional de John Ruwitch em Sichuan, Benjamin Kang Lim e Guo Shipeng em Pequim, Jonathan Allen em Dharamsala)

 
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