March 17, 2008 / 7:17 PM / 9 years ago

Crise externa eleva dólar pela 3a sessão seguida

3 Min, DE LEITURA

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu pelo terceiro dia seguido nesta segunda-feira, em reação ao agravamento da crise global de crédito, e fechou na maior cotação em quase 1 mês.

A moeda norte-americana teve alta de 0,64 por cento, para 1,724 real --maior valor de fechamento desde 20 de fevereiro. Neste mês, o dólar já avançou quase 2 por cento.

O colapso do Bear Stearns, quinto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, continuou a tumultuar os negócios em todo o mundo. As bolsas de valores despencaram e a aversão a risco disparou com o temor de que outros bancos sejam vítimas da crise, que começou no setor de crédito imobiliário de alto risco (subprime) nos Estados Unidos.

"(A alta do dólar no Brasil) é uma fuga natural (dos estrangeiros) para cobrir essas perdas lá fora", disse Paulo Fujisaki, analista de mercado da corretora Socopa. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caía 3 por cento à tarde, depois de ter operado em baixa mais intensa mais cedo que deixou o Ibovespa abaixo dos 60 mil pontos.

A inversão de postura dos estrangeiros na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) refletiu a turbulência. Eles, que começaram o mês com mais de 6 bilhões de dólares em posições vendidas em dólar, encerraram a sexta-feira com quase 4 bilhões de dólares em posições compradas na moeda norte-americana.

A posição vendida em dólar representa uma aposta na queda da moeda norte-americana.

A turbulência, porém, é apenas pontual, e não afetou a tendência de queda da moeda norte-americana, segundo Fujisaki.

"É (uma alta) pontual nesses dias. Deve acomodar depois... com a redução de juros (nos Estados Unidos)", disse. Na terça-feira, o Federal Reserve se reúne e, de acordo com a expectativa do mercado, vai reduzir os juros mais uma vez.

A cada vez maior diferença entre os juros praticados no Brasil e no exterior é tida por analistas como o principal fator para o recente ciclo de queda do dólar.

Esta segunda-feira foi o primeiro dia de vigência das novas regras cambiais anunciadas pelo governo na semana passada. As novidades, entre as quais o fim da cobertura cambial e a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas operações de câmbio de estrangeiros que investem em renda fixa, não têm tido efeito prático sobre a cotação do dólar, segundo analistas.

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