17 de Fevereiro de 2008 / às 17:46 / 10 anos atrás

Sérvia repudia independência de Kosovo

<p>O primeiro-ministro da S&eacute;rvia, Vojislav Kostunica, durante pronunciamento em Belgrado. O primeiro-ministro e o presidente da S&eacute;rvia repudiaram a declara&ccedil;&atilde;o de independ&ecirc;ncia de Kosovo neste domingo. Photo by Ivan Milutinovic</p>

Por Ellie Tzortzi

BELGRADO (Reuters) - O primeiro-ministro e o presidente da Sérvia repudiaram a declaração de independência de Kosovo neste domingo, mas mostraram sinais bem diferentes sobre quais seriam as consequências do fato nas relações sérvias com o Ocidente.

O primeiro-ministro nacionalista, Vojislav Kostunica, que liderou uma batalha diplomática para manter Kosovo, atacou os Estados Unidos e a Europa por apoiarem a secessão da província, tida pelos sérvios como coração de sua cultura e história.

Num pronunciamento dirigido à nação minutos após a formalização da independência de Kosovo, Kostunica acusou os Estados Unidos de estarem “prontos para violar a ordem internacional em prol de interesse militares próprios”.

“Enquanto o povo sérvio existir, Kosovo será a Sérvia”, disse Kostunica.

“A declaração do falso Estado, sob a supervisão dos Estados Unidos e da União Européia, é o ato final da política de força iniciada com o bombardeio da Sérvia e que continuou com a chegada das tropas da Otan a Kosovo.”

Os EUA lideraram as forças aéreas da Otan em 1999, retirando as tropas sérvias da província para evitar o assassinato em massa de cidadãos albaneses em uma operação contra insurgentes.

Kostunica afirmou que protestos em massa seriam convocados em breve, mas que havia poucos sinais de descontentamento popular espontâneo em relação a uma questão altamente sensível para os sérvios.

PRESIDENTE DESCARTA USO DE VIOLÊNCIA

O presidente sérvio pró-Ocidente, Boris Tadic, cujo partido governa por meio de uma coalizão bastante frágil com o partido de Kostunica, censurou a iniciativa de Kosovo, mas pediu calma.

“A Sérvia nunca reconhecerá a independência de Kosovo”, mas “passará por isso em paz, com dignidade”, afirmou.

“A Sérvia não usará de violência”, acrescentou em um comunicado. “A Sérvia continuará... e defenderá seus interesses e a lei internacional, não importa quanto tempo leve.”

A Rússia, aliado mais poderoso de Belgrado e que rejeitou a independência da província sérvia, requisitou discussões do Conselho de Segurança da ONU sobre a secessão de Kosovo.

Tadic defende separar a questão com Kosovo do pedido de ingresso da Sérvia na União Européia. Kostunica, porém, insiste que Bruxelas deve desistir de apoiar Kosovo caso deseje que a Sérvia integre o bloco.

A reação mais radical veio do chefe da Igreja Ortodoxa Sérvia em Kosovo, o bispo Artemije, que criticou as forças armadas da Sérvia por não tomarem qualquer atitude.

“A Sérvia deveria comprar armas modernas da Rússia e de outros países e pedir que a Rússia enviasse voluntários para estabelecer uma presença militar na Sérvia”, disse.

Kosovo espera o reconhecimento de sua independência por Washington e pela maior parte dos países da União Européia.

Reportagem adicional de Ljilja Cvekic

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