Governo só vai votar CSS no Senado após eleições municipais

quarta-feira, 18 de junho de 2008 14:18 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou na quarta-feira que o governo não tem pressa em votar a Contribuição Social para a Saúde (CSS), no Senado, e disse que o melhor momento será depois das eleições municipais.

Em reunião de líderes do governo e da oposição com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN) nesta quarta-feira, a oposição propôs encerrar a obstrução que mantém às votações na Câmara se o governo concordasse em votar a CSS rapidamente no Senado.

A estratégia da oposição era acelerar a votação, confiante de que o governo não teria maioria para aprovar o projeto de criação da nova contribuição para a saúde. Com maioria folgada na Câmara, o governo obteve a aprovação da CSS por apenas dois votos. O novo tributo substitui a CPMF, com alíquota de 0,1 por cento sobre as movimentações financeiras.

"Um assunto como esse, de financiamento de longo prazo para a saúde, não pode ser votado nem com pressão, nem atrelado ao processo eleitoral. Vamos votar quando o projeto estiver maduro, em outubro ou novembro", disse Jucá a jornalistas.

Segundo o líder do governo, a oposição parece muita apressada para votar aumento de impostos.

"Nós queremos discutir com tranquilidade, verificar se a proposta é compatível com a reforma tributária, ouvir o ministro da Saúde, discutir e votar no momento oportuno. Não temos pressa nem de rejeitar nem de aprovar", disse Jucá.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) considerou a decisão uma manobra do governo.

"Pensei que eles estivessem confiantes na maioria que supostamente dizem ter, mas não têm. Eles querem vir com um punhal contra o povo depois das eleições."