China e Dalai Lama trocam farpas por distúrbios no Tibet

terça-feira, 18 de março de 2008 10:16 BRT
 

Por Chris Buckley

PEQUIM (Reuters) - A China acusou na terça-feira o Dalai Lama de orquestrar os distúrbios no Tibet para prejudicar a Olimpíada deste ano em Pequim, mas o líder budista no exílio rejeitou a acusação e disse que pode renunciar caso a violência saia de controle.

O governo tibetano no exílio disse em sua sede, na cidade indiana de Dharamsala, que pelo menos 99 pessoas já morreram desde a semana passada nos confrontos com as autoridades chinesas, sendo 19 só na terça-feira.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, tentou justificar a repressão aos manifestantes em Lhasa, a capital tibetana, e em províncias chinesas vizinhas, para onde as manifestações dos tibetanos se espalharam desde o fim de semana.

"Há amplos fatos e abundância de evidências provando que este incidente foi organizado, premeditado, planejado e incitado pela camarilha do Dalai", disse Wen em entrevista coletiva em Pequim.

"Isso revelou ainda mais que as consistentes afirmações por parte da camarilha do Dalai de que eles buscam não a independência, mas o diálogo pacífico, são nada além de mentiras", acrescentou.

Mais tarde, um porta-voz da chancelaria chegou a dizer que o Dalai Lama, que fugiu do Tibet em 1959, depois de uma rebelião contra o domínio chinês, deveria ser levado a julgamento.

Em entrevista coletiva em Dharamsala, o Dalai Lama, que já ganhou o Nobel da Paz, disse que "se as coisas saírem de controle minha única opção é renunciar completamente".

Tenzin Taklha, porta-voz do líder espiritual, disse que os distúrbios começaram com um ou dois incidentes. "Graças à tecnologia, graças ao boca-a-boca, a notícia rapidamente se espalhou. Isso foi muito espontâneo", afirmou.   Continuação...

 
<p>O l&iacute;der espiritual tibetano Dalai Lama fala &agrave; imprensa de sua resid&ecirc;ncia em Dharamsala. A China acusou na ter&ccedil;a-feira o Dalai Lama de orquestrar os dist&uacute;rbios no Tibet para prejudicar a Olimp&iacute;ada deste ano em Pequim, mas o l&iacute;der budista no ex&iacute;lio rejeitou a acusa&ccedil;&atilde;o e disse que pode renunciar caso a viol&ecirc;ncia saia de controle. Photo by Arko Datta</p>