18 de Fevereiro de 2008 / às 15:01 / em 10 anos

Lula melhora desempenho e pode influenciar eleição municipal

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva obteve este mês a melhor avaliação desde sua primeira posse em janeiro de 2003, segundo pesquisa CNT/Sensus, que sinaliza possível influência de Lula no resultado das eleições municipais de outubro.

A avaliação positiva do governo subiu para 52,7 por cento em fevereiro, contra 46,5 por cento em outubro, data do levantamento anterior.

Em janeiro de 2003, quando Lula assumiu a presidência no lugar de Fernando Henrique Cardoso, seu governo foi avaliado positivamente por 56 por cento da população. Desde então, a avaliação oscilou e alcançou o menor patamar em novembro de 2005, quando 31,1 por cento da população a considerou positiva.

Já a avaliação negativa do governo caiu para 13,7 por cento este mês, frente a 16,5 por cento em outubro.

O desempenho pessoal do presidente Lula foi aprovado por 66,8 por cento dos entrevistados, melhor resultado desde dezembro de 2003, de 69,9 por cento, e frente a 61,2 por cento na sondagem anterior.

“O governo está com a popularidade significativamente alta devido ao desempenho da economia e programas sociais”, afirmou a jornalistas o diretor do Sensus, Ricardo Guedes, ao anunciar os resultados da sondagem, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). “O determinante é a economia, o povo está ganhando e comprando.”

Os dados da sondagem indicaram que o bom momento de Lula poderá ter impacto no resultado das eleições municipais deste ano. Do total de entrevistados, 36,8 por cento disseram que poderiam votar ou votariam apenas em candidato apoiado pelo presidente. Outros 25,9 por cento afirmaram que não votariam em candidato apoiado por Lula e 35 por cento disseram que só poderiam votar no candidato do presidente se o conhecessem.

O potencial de transferência de votos de Lula ficou um pouco acima do dos governadores --34,2 por cento dos entrevistados disseram que poderiam votar ou necessariamente votariam em candidato apoiado pelo governador de seu Estado.

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

A pesquisa ainda avaliou a intenção de voto para a sucessão presidencial em 2010. Nas listas em que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), foi incluído, ele liderou a sondagem.

O melhor desempenho de Serra foi em lista que incluía como concorrentes o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL) e a atual ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na qual o tucano liderou com 38,2 por cento das intenções de voto.

Quando o nome de Dilma foi substituído pelos nomes dos ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Tarso Genro (Justiça), a preferência por Serra caiu para 37,5 por cento e 37,3 por cento respectivamente.

Quando Aécio Neves foi incluído na disputa no lugar de Serra, ele obteve 16,6 por cento das intenções de voto e Ciro Gomes liderou a preferência, com 25,8 por cento, seguido de Heloísa Helena, com 19,1 por cento.

Em sondagem espontânea, na qual não eram apresentadas alternativas de candidatos, Lula liderou com 18,6 por cento das intenções, seguido de Serra, com 5,1 por cento dos votos.

CARTÕES CORPORATIVOS

O crescimento da aprovação a Lula e seu governo ocorreu em meio a percepções negativas em relação aos episódios recentes dos cartões corporativos e do aumento de ocorrências de febre amarela no país.

Do total de entrevistados, 64,1 por cento disseram ter ouvido falar ou estar acompanhando informações sobre o uso indevido dos cartões corporativos por membros do governo. Dos que se propuseram a comentar o assunto, 83,1 por cento disseram ser contra a manutenção dos cartões e 74,9 por cento avaliaram que seu uso indevido afeta a imagem do presidente Lula.

Sobre o surto de febre amarela, 93,4 por cento disseram conhecer o assunto e 16,7 por cento do total disseram considerar que o problema foi devido à falta de atuação do Ministério da Saúde --outros 36,7 por cento responsabilizaram “todos nós” pelo surto.

A pesquisa Sensus divulgada nesta segunda-feira foi realizada entre os dias 11 e 15 deste mês, com 2.000 pessoas em 136 municípios do país. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para cima ou para baixo.

Edição de Carmen Munari

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