Lucro do Goldman cai menos que o esperado, ação dispara

terça-feira, 18 de março de 2008 11:16 BRT
 

NOVA YORK (Reuters) - O Goldman Sachs anunciou nesta terça-feira que seu lucro caiu pela metade no primeiro trimestre depois de sofrer mais de 2,5 bilhões de dólares em perdas com empréstimos e outros ativos. Apesar disso, operações fortes de corretagem ajudaram o banco a superar expectativas reduzidas de um mercado ansioso.

Após a divulgação do balanço, as ações do banco operavam disparavam 9 por cento, enquanto o índice Dow Jones subia 2 por cento.

O maior banco de Wall Street em lucro e valor de mercado informou que o lucro líquido caiu para 1,51 bilhão de dólares, ou 3,23 dólares por ação, no trimestre encerrado em 29 de fevereiro. No mesmo período do ano passado, o ganho foi de 3,2 bilhões de dólares, ou 6,67 dólares por ação. A receita trimestral recuou 35 por cento, para 8,34 bilhões de dólares.

Analistas em média esperavam que o Goldman tivesse lucro de 2,57 dólares por ação sobre receitas de 7,3 bilhões de dólares, segundo a Reuters Estimates.

"O Goldman mais uma vez brilha em momentos difíceis. Tempos como esses separam as melhores performances", disse Michael Holland, fundador da Holland & Co, que administra 4 bilhões de dólares em recursos. "Este foi um balanço estelar", disse ele.

As receitas do banco com corretagem e investimentos caiu quase que pela metade em relação ao mesmo período do ano passado, para 5,12 bilhões de dólares. Na comparação com o quarto trimestre a queda foi de 26 por cento, refletindo as contínuas turbulências dos mercados financeiros.

O Goldman também registrou cerca de 1 bilhão de dólares em prejuízo líquido com empréstimos para hipotecas, bem como perdas de 1 bilhão de dólares com empréstimos mais arriscados para empresas e declínio de valor de seus investimentos.

Enquanto isso, a receita com atividades de banco de investimentos caiu em um terço para 1,17 bilhão de dólares, refletindo uma queda na subscrição de dívida e declínio da oferta de ações.

"As condições de mercado foram claramente muito difíceis", disse o presidente-executivo do Goldman, Lloyd Blankfein, em comunicado. "Mas nós vimos forte atividade de clientes em muitos de nossos negócios."

Bancos e corretoras tem sido pressionados por mais de um ano, enquanto a pior crise no mercado imobiliário dos EUA em décadas e uma crise nos mercados de crédito gerou mais de 200 bilhões de dólares em perdas ao redor do mundo.

(Reportagem de Joseph A. Giannone)