18 de Dezembro de 2007 / às 18:03 / 10 anos atrás

ATUALIZA-SP terá oferta maior de gás, mas acordo permite cortes

(Texto atualizado com mais informações)

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 18 de dezembro (Reuters) - A Comgás (CGAS5.SA), maior distribuidora de gás natural do Brasil, e a Petrobras (PETR4.SA) anunciaram nesta terça-feira novos contratos para a comercialização do combustível, que englobam aumento do volume total para São Paulo em até 3 milhões de metros cúbicos, mas também a possibilidade de interrupções no fornecimento.

Antes, a Comgás tinha contratos para comprar 11,75 milhões de metros cúbicos diários da Petrobras, entre o volume produzido no Brasil e na Bolívia. Agora, a companhia paulista terá a opção de comprar até 14,75 milhões de metros cúbicos.

Com os novos contratos, válidos a partir de 2008, também fica formalizada a negociação de um volume de gás que era fornecido fora de bases contratuais, mas que sofria cortes no caso de necessidade de despacho do combustível para termelétricas, como ocorreu em outubro, em função do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas.

"O que muda é que regulariza a situação de contratação. A Comgás investiu muito dinheiro para acompanhar o crescimento de São Paulo... e isso levou a uma ampliação do volume contratado... Isso dá mais segurança quanto às condições de entrega da Petrobras", disse o presidente da Comgás, Luis Domenech, a jornalistas.

Antes dos novos contratos, a Comgás contava, além do volume contratual de 11,75 milhões de metros com a Petrobras, 650 mil metros cúbicos provenientes de acordo separado com a Bolívia feito pela BG Group, o que resultava em oferta de 12,35 milhões de metros cúbicos.

Para completar a demanda de até 14 milhões de metros cúbicos da Comgás, a Petrobras vendia o gás fora de contrato.

Agora, com os novos acertos, foi mantido o contrato de gás boliviano, renovado um contrato firme de gás brasileiro com aumento de 3 para 3,5 milhões de metros cúbicos e assinado o chamado "contrato firme flexível", de 1 milhão de metros cúbicos diários.

Esse contrato "firme flexível" permite que a Petrobras interrompa o fornecimento e arque com os custos da substituição do gás por outro combustível, possivelmente o óleo.

E foi também fechado um quarto contrato, chamado interruptível, que prevê a oferta de um volume opcional de 1,5 milhão de metros cúbicos, que também pode ter o fornecimento suspenso, mas sem a possibilidade de pagamento pela Petrobras do custo financeiro maior de uma eventual substituição desse gás por outro combustível.

Esses dois novos contratos nortearão, principalmente, o fornecimento para o setor industrial, o maior consumidor.

PREÇOS E FORNECIMENTO

É o segundo acordo do tipo fechado pela Petrobras desde a crise do fornecimento em outubro. O primeiro foi assinado com uma distribuidora na Bahia, nos mesmos moldes.

Com relação a preços, a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster, afirmou que não poderia revelar valores. "São relações contratuais, isso é uma relação comercial entre nós."

Ela disse ainda que nos dois contratos, o firme flexível e firme inflexível (aquele em que não há interrupção), os volumes têm "exatamente o mesmo valor... a molécula é a mesma, não há diferença...". E que o gás tem "menor valor" no caso do contrato "interruptível", uma vez que o contratante assume o risco de ficar sem o combustível sem contar com o suporte da fornecedora.

Graça Foster afirmou que a Petrobras, para elevar a oferta, contará com a crescente produção nos campos das bacias de Campos, Santos, Espírito Santo, além do "fortalecimento da estrutura de transporte", que oferece maior "flexibilidade" para fazer a entrega do produto.

A Comgás vai, já no início do ano que vem, começar negociação para novos fornecimentos com a Petrobras, uma vez que São Paulo, até 2011, precisaria de 5 milhões de metros cúbicos adicionais dentro da modalidade firme.

Para garantir a oferta, atendendo não apenas a Comgás como as demais distribuidoras do país, a Petrobras fez na segunda-feira novos acordos com a estatal de energia da Bolívia, a YPFB, para ampliar a produção de campos já existentes (San Alberto e San Antonio) e explorar o campo de Ingre.

Além disso, disse o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli a jornalistas, durante a assinatura do contrato com a Comgás, "fizemos uma empresa mista para iniciar estudos de três novas áreas na Bolívia, para iniciar atividade exploratória".

"Isso vai aumentar a capacidade de produção da Bolívia, e a YPFB destinará esses produtos aos mercados interno e externo".

Edição de Marcelo Teixeira

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