Amorim rebate FMI e sugere fim de subsídios agrícolas

sexta-feira, 18 de abril de 2008 18:11 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, rebateu nesta sexta-feira as sucessivas críticas de que a produção de biocombustíveis é responsável pelo aumento dos preços dos alimentos, afirmando que os subsídios e barreiras agrícolas das nações ricas são as principais causas da falta de alimentos nos países pobres.

Respondendo claramente às declarações feitas nesta sexta-feira pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Khan, de que os biocombustíveis criam um problema moral para a humanidade e que encarecem os alimentos, Amorim pediu o fim dos subsídios para melhorar a produção dos alimentos nos países pobres.

"O que prejudica a produção de alimentos nos países pobres, vamos ser claros, é a existência de subsídios e das barreiras nos países ricos", afirmou Amorim, segundo a Agência Brasil, depois de assinar termos de cooperação com o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o senegalês Jacques Diouf.

"Se o diretor-geral do FMI e o presidente do Banco Mundial querem dar uma recomendação que realmente melhore a produção de alimentos nesses países, deveriam dizer o seguinte: em vez de reduzir (os subsídios agrícolas) para 14 bilhões de dólares nos Estados Unidos ou para 20 bilhões de dólares na Europa, reduz a zero", complementou o ministro.

Amorim afirmou que o Brasil, que produz etanol a partir da cana-de-açúcar, é a prova de que os biocombustíveis não comprometem a produção de alimentos. Segundo ele, a produção de etanol aumentou junto com a produção de alimentos e pode ser uma "redenção" para países africanos e latino-americanos.

"Se o FMI puder ajudar para que países africanos e países latino-americanos mais pobres possam produzir biocombustíveis, que entrem sem barreiras nos países ricos, eles estarão ajudando a renda desses países, e é com renda que se obtém alimentos", sugeriu o ministro.

Amorim acusou ainda de serem simplistas as conclusões sobre a produção de biocombustíveis e que teriam como base uma preocupação protecionista.

(Texto de Denise Luna)