18 de Julho de 2008 / às 20:06 / 9 anos atrás

Uruguai quer construir térmica a carvão no sul do Brasil

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governo do Uruguai pretende construir no Brasil uma termelétrica a carvão mineral de 350 megawatts, que seria ligada a uma linha de transmissão e aumentaria a exportação de energia para o país vizinho, informou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

Após assinar um acordo com o colega uruguaio Daniel Martinez, Lobão explicou que o projeto visa reduzir custos com a matéria-prima para o Uruguai, já que a unidade seria instalada perto de uma mina de carvão em Candiota, no Rio Grande do Sul.

Uma licitação para a construção da linha de transmissão já está no mercado, segundo Martinez, e ligaria Candiota ao Uruguai. A termelétrica seria feita em parceria com a iniciativa privada ou apenas com recursos do governo uruguaio.

Lobão amenizou o impacto ambiental que o projeto que usa uma fonte energética considerada poluente traria para o Brasil, afirmando que atualmente as térmicas a carvão têm tecnologia para reduzir a poluição.

"O carvão polui mais no transporte, mas como a térmica vai ficar perto da mina, não tem problema", simplificou o ministro.

O Uruguai compra atualmente cerca de 70 megawatts do Brasil vindo de usinas térmicas, principalmente nos meses de maio, junho e julho, quando o país está em período seco.

Nesta sexta-feira, Lobão assinou com Martinez, no Rio de Janeiro, convênio similar ao feito recentemente com a Argentina, no qual em vez de vender a energia o Brasil apenas empresta durante os meses de chuva para receber de volta na estiagem, a partir de agosto.

"Para nós será muito melhor, porque antes era térmica e era paga. Temos um mês quase todo sem funcionar no rio Negro", disse o ministro uruguaio sobre o período de seca do rio que atravessa o país vizinho e onde estão três hidrelétricas que suprem quase todo o consumo do país.

O Uruguai consome cerca de 1.700 megawatts médios de energia na hora de pico, contra os cerca de 50 mil megawatts médios consumidos no Brasil. O mesmo trato foi realizado com a Argentina, que já está antecipando a devolução da energia enviada desde maio.

"Em dez dias a Argentina já devolveu um terço de tudo que recebeu", informou Lobão.

O ministro falou da necessidade de integrar todos os países da América Latina pela energia e informou que está negociando o envio pela Venezuela de 3.000 megawatts para o Brasil dentro de dois a três anos. Para isso, seria necessária uma linha de transmissão ligando Manaus ao país vizinho.

"Talvez nem precisemos de tanta energia, mas podemos acudir os países vizinhos que precisem, como o Uruguai, que não poderia comprar direto da Venezuela", destacou.

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