Ninguém quer atacar Lula, nem mesmo candidatos da oposição

sexta-feira, 19 de setembro de 2008 16:32 BRT
 

Por Natuza Nery e Fernando Exman

BRASÍLIA (Reuters) - Se um desavisado em política desembarcasse no Brasil depois de meses ausente, ficaria confuso ao ver candidatos da oposição cedendo aos encantos da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos jornais, rádio e televisão.

Até mesmo oposicionistas de vulto, como os candidatos municipais Gilberto Kassab (DEM) e Geraldo Alckmin (PSDB), preferem burlar a identidade partidária a correr o risco de perder votos nas eleições municipais.

Parte dessa "fascinação" é atribuída ao índice histórico de aprovação de Lula, na casa dos 64 por cento, segundo recente pesquisa do Datafolha.

"Nenhum candidato quer criticar abertamente o presidente porque pode ser castigado nas urnas", afirmou à Reuters nesta sexta-feira o analista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB).

Em São Paulo, onde o reduto de inimigos políticos do presidente é tradicionalmente maior, nem mesmo o principal adversário de Lula em 2006 e o hoje grande aliado do governador José Serra (PSDB) resistiram.

"Com o Lula, tudo bem. O problema é o PT", ressalta o locutor do programa da campanha do tucano Geraldo Alckmin que, derrotado nas urnas naquele ano, costumava criticar o "descalabro ético" promovido pela administração federal.

Já o prefeito paulistano, Gilberto Kassab (DEM), colocou Lula no patamar dos "maiores políticos do Brasil", ao lado dos oposicionistas Serra e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

"Ele tem feito uma boa gestão", justificou o democrata, na última quinta-feira, em sabatina à Folha de S. Paulo.   Continuação...