Pelotizadora da Vale no Maranhão pára com invasão em ferrovia

quinta-feira, 18 de outubro de 2007 14:14 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A invasão por militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Estrada de Ferro de Carajás, no Pará, paralisou a pelotizadora da Companhia Vale do Rio Doce no Maranhão, por falta de matéria-prima.

A unidade produz 6 milhões de toneladas de pelotas de minério de ferro por ano, informou a assessoria da Vale nesta quinta-feira.

"A partir de hoje, a usina de pelotização localizada no Maranhão não terá mais matéria-prima para produção", informou a empresa em um comunicado.

A ocupação da ferrovia, que transporta diariamente 250 mil toneladas de minério de ferro, começou na quarta-feira e continuava até o início desta tarde, apesar de a Justiça Federal ter concedido, na noite de quarta-feira, liminar de reintegração de posse da ferrovia.

De acordo com a Polícia Militar do Pará, 70 homens foram designados para auxiliar a Polícia Federal no local, mas não havia informação sobre a retirada dos manifestantes. A Vale também não soube informar quando a ferrovia seria desocupada.

"Até o início da tarde de hoje não tinha sido obtido qualquer resultado decorrente de gestões junto a autoridades estaduais e federais", afirmou a mineradora.

Além de minério e carga geral, a EFC transporta 1.300 passageiros por dia e é fundamental para o abastecimento de combustível e alimentos no Sudeste do Pará, afirmou o presidente da Câmara de Marabá (PA), Miguel Gomes.

"Se a invasão continuar, podemos ficar sem combustível e alimentos, tudo vem pela ferrovia", disse à Reuters por telefone.

Na liminar concedida à Vale, além da reintegração está prevista multa de 10 mil reais diários para quem permanecer na ferrovia. Segundo a Vale, cerca de 400 pessoas participam da manifestação, cujo objetivo é chamar a atenção do governo para questões relacionadas à reforma agrária.

(Por Denise Luna)