Empresas espanholas mantêm aposta no Brasil mesmo com juro igual

quinta-feira, 18 de outubro de 2007 15:08 BRST
 

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO, 18 de outubro (Reuters) - Empresas que representam o segundo maior investidor no Brasil --a Espanha, com 33 bilhões de dólares de 1995 a 2007-- mantêm aposta forte no crescimento da economia local apesar da suspensão do ciclo de cortes da taxa básica de juro.

Executivos de empresas como a Gás Natural, que controla, por exemplo, a CEG CEGR3.SA, empresa de distribuição de gás que atua no Rio de Janeiro, a OHL OHLB3.SA, concessionária de rodovias no interior de São Paulo, e o grupo hoteleiro Sol-Meliá, disseram que as perspectivas para 2008 continuam boas.

"Estamos preparando o orçamento de 2008 e não é nada diferente de 2007, em termos gerais. E 2007 foi um ano muito bom", comentou o diretor de Marketing do Sol-Meliá, Luiz Calle, acrescentando que o grupo tem um projeto grande para a Bahia a partir do próximo ano.

A OHL, que ganhou destaque ao arrematar cinco de sete licenças de concessão de rodovias federais na semana passada, afirmou que fez as propostas vencedoras considerando um cenário constante de crescimento econômico moderado --entre 3,5 e 4,0 por cento este ano.

"Muita gente defende que o Brasil cresça a um ritmo de China e Índia, mas não pode", disse o coordenador de comunicação da Centrovias, uma das concessionárias da OHL Brasil, Claudio Carvalho. Ele fez um alerta de que a infra-estrutura do país ainda está em desenvolvimento. "Tem que ter crescimento sustentado, e a situação do país está mostrando que isso é possível."

O diretor de Relações Externas da Gás Natural, Olavo Rufino de Oliveira, defendeu que o importante é a estabilidade regulatória. "Já houve tempo em que trabalhamos com juros maiores", comentou.

Reunidos nesta quinta-feira pela Câmara Oficial Espanhola de Comércio para divulgar ações de responsabilidade social, as empresas endossaram a avaliação do presidente do órgão de que é conjuntural a suspensão da sequência de 18 cortes do juro decidida na véspera, por unanimidade, pelos diretores do Banco Central.

De setembro de 2005 até o mês passado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a taxa básica de juro em 8,5 pontos. A Selic agora está em 11,25 por cento ao ano.

"Os juros, como muitas variáveis macroeconômicas, são indicadores pontuais que não medem as expectativas de todos nós", declarou Ramón Sanchez, presidente da Câmara e que também é um dos vice-presidentes do banco Santander no Brasil. "Trabalhamos com uma expectativa de médio prazo, e infra-estrutura e serviços têm oportunidades enormes."