Crise alimenta rumores de fusões em bancos europeus

quinta-feira, 18 de setembro de 2008 12:04 BRT
 

Por Lisa Jucca

ZURIQUE, 18 de setembro (Reuters) - A persistente crise financeira global alimenta a especulação de que governos e bancos centrais na Europa podem pressionar instituições com problemas a se fundir, criando grandes bancos nacionais com força o bastante para superar o momento.

Os problemas financeiros nos Estados Unidos fizeram a Grã-Bretanha deixar de lado a preocupação com a concorrência no mercado, ajudando o Lloyds (LLOY.L: Cotações) a comprar por 22 bilhões de libras o HBOS HBOS.L em um acordo que criará um banco dominante em hipotecas e poupança.

O acordo, que muitos consideravam impensável até a crise desta semana, reforçou a especulação sobre fusões semelhantes pela Europa, com os maiores nomes em foco --os suíços UBS UBSN.VX e Credit Suisse CSGN.VX e os franceses BNP Paribas (BNPP.PA: Cotações) e Société Générale (SOGN.PA: Cotações).

A Alemanha está criando novos gigantes financeiros, com a compra de 13 bilhões de dólares do Postbank DPBGn.DE pelo Deutsche Bank (DBKGn.DE: Cotações) e com a venda do braço bancário da Allianz (ALVG.DE: Cotações) para o Dresdner Commerzbank (CBKG.DE: Cotações) por 14,5 bilhões de dólares --ainda que esse acordo, especulava-se nesta quinta-feira, pudesse não sair.

A Itália já consolidou a maior parte do setor bancário, e o foco está agora direcionado para lugares como Suíça, França ou Escandinávia. Na Espanha, também razoavelmente consolidada, os operadores se perguntam se o governo vai vai pressionar o segundo maior banco da Europa, o Santander (SAN.MC: Cotações), a comprar algum concorrente local menor.

Operadores retomaram nesta quinta-feira o rumor de que o Banco Nacional da Suíça pode pressionar o gigante UBS, cujas ações bateram mínima histórica nesta semana, para correr para os braços de seu concorrente caso ocorra o pior.

Mas o acordo criaria enormes sobreposições e pode deixar as empresas suíças com poucas opções para operar localmente. Os dois bancos têm valor de mercado combinado de quase 90 bilhões de dólares, contra 175 bilhões de dólares do maior banco europeu, o HSBC, e 89 bilhões de dólares do Santander.

(Reportagem adicional de Sudip Kargupta, Steve Slater, Jason Rhodes, Judith MacInnes e Rupert Pretterklieber)