Membros do Banco da Inglaterra já consideraram subir juro--ata

quarta-feira, 18 de junho de 2008 09:26 BRT
 

Por Sumeet Desai e Matt Falloon

LONDRES (Reuters) - Alguns membros do Banco da Inglaterra consideraram votar pela a elevação do juro neste mês antes de apoiarem a manutenção da taxa em 5 por cento --decisão que venceu por oito votos a um.

A ata da reunião de 4 e 5 de junho do Comitê de Política Monetária mostrou que David Blanchflower manteve sua posição a favor do corte de 0,25 ponto percentual, mas o restante avaliou que não era o caso de reduzir o juro por causa da deterioração do cenário de inflação.

Os responsáveis pela política monetária, no entanto, deixaram a porta aberta para um corte, à espera de novos dados sobre a economia. Alguns membros do banco avaliaram que era o momento de elevar o juro, mas decidiram não fazê-lo por causa dos sinais de que a crise de crédito está atingindo agora mais setores da economia.

"Ainda que uma alta do juro nos próximos meses seja possível, continuamos a ver a maioria do comitê a favor da manutenção da taxa", disse Michael Hume, economista do Lehman Brothers.

"Ainda esperamos que a preocupação com o crescimento domine gradualmente o comitê, e por isso prevemos um corte do juro ainda neste ano, mais provavelmente em novembro."

Dados divulgados nesta terça-feira mostraram que a inflação atingiu 3,3 por cento em maio, maior nível desde a chegada do Partido Trabalhista ao poder, em 1997. O resultado forçou o diretor do Banco da Inglaterra, Mervyn King, a escrever uma carta de explicações para o governo.

Em sua carta, King acalmou o mercado em relação à iminência de uma alta do juro, dizendo que os responsáveis pela política monetária precisam equilibrar as pressões inflacionárias de curto prazo com a possibilidade de que uma desaceleração abrupta da economia coloque a inflação abaixo da meta de 2 por cenro em dois anos.

Blanchflower, voz dissonante a favor de uma redução do juro, disse que há o risco crescente de que a economia desacelere de forma muito rápida --ainda que uma recessão não esteja no centro de sua previsão.