Brasil está preparado para crises como a dos EUA, diz Lula

terça-feira, 18 de março de 2008 18:17 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Ao lançar obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Campo Grande, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil está passando incólume pela crise da economia norte-americana, que abala o sistema bancário daquele país.

O mundo acompanha com apreensão a crise, que levou o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) a reduzir sua taxa de juros nesta terça-feira para tentar evitar uma recessão.

"E até agora não aconteceu nada com o nosso querido Brasil", festejou Lula, sem ignorar a gravidade da crise.

Comparada por alguns analistas à crise de 1929 e classificada pelo ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, como a mais grave desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a atual crise norte-americana foi considerada por Lula muito mais grave que a crise asiática, que teve forte impacto na economia brasileira.

"Vocês estão lembrados de que em 1998 teve uma crise na Malásia e o Brasil quase quebrou. Agora, nós estamos com uma crise certamente 30 vezes mais forte do que a da Malásia, que é uma crise na maior economia do mundo", disse Lula em seu discurso na capital do Mato Grosso do Sul, divulgado pela assessoria de imprensa do Planalto.

Para o presidente, o Brasil não sofre tanto o impacto da crise porque foi preparado para isso.

"Em 2003, quando eu tomei posse, o Brasil tinha 30 bilhões de dólares em reservas, dos quais 16 bilhões eram do FMI. Então, na verdade, nós tínhamos 14 bilhões. Nós devolvemos para o FMI os 16 bilhões deles, pagamos o Clube de Paris, e temos hoje quase 200 bilhões de dólares de reservas", afirmou Lula, ressaltando a condição de credor externo que o Brasil atingiu recentemente.

Lula voltou a afirmar que o Brasil vai crescer em 2008 mais do que em 2007, e que o crescimento da economia será acompanhado do aumento do consumo interno.

"Precisamos de gente comprando para as empresas crescerem. E precisamos ter empresas produzindo porque se não produzirem gera inflação, com a demanda maior do que a oferta. Então, nós estamos tendo esses cuidados excepcionais para não permitir que este momento mágico se transforme em sofrimento amanhã."