Nos EUA, Mantega diz que há espaço para corte nos juros

quinta-feira, 18 de outubro de 2007 22:43 BRST
 

WASHINGTON (Reuters) - O Banco Central ainda tem espaço para reduzir a taxa de juros, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quinta-feira, um dia depois do Comitê de Política Monetária (Copom) decidir manter a taxa básica de juros após 18 cortes seguidos.

Mantega disse a jornalistas em Washington, onde participará de encontros do Fundo Monetário Internacional (FMI) no fim de semana, que cabe ao Copom explicar por que decidiu manter a taxa Selic em 11,25 por cento na quarta-feira.

Ele argumentou, no entanto, que a interrupção da trajetória de queda dos juros tem "poucos efeitos práticos do ponto de vista macroeconômico".

"A economia não vai parar de crescer por causa dessa interrupção. A demanda agregada continua aquecida no país --ela depende mais do volume de crédito, que está crescendo de forma expressiva", disse Mantega, citando um crescimento anual de entre 24 e 25 por cento no crédito.

O ministro acrescentou que o impacto total dos cortes de juros já realizados ainda não foi sentido pela economia.

"Tenho certeza que o Copom retomará a redução da taxa de juros quando achar conveniente e que a nossa taxa de juro chegará a um juro real de 5 ou 5,5 por cento ao ano", disse Mantega sem, no entanto, mencionar quando isso poderá ocorrer.

Mantega disse ainda que o recém-criado Banco do Sul estará mais próximo dos interesses dos países da América Latina do que qualquer outra instituição multilateral.

Segundo ele, a possibilidade de uma maior influência política em instituições como o FMI e o Banco Mundial é "remota, pelo menos do ponto de vista dos votos".

"Nós estamos aqui numa briga de foice para tentar elevar a participação acionária do Brasil (no FMI), de modo que o Brasil tenha um peso político maior, mas é uma briga grande para sair de 1,4 por cento para, sei lá, 2 por cento, 2,1 por cento", disse.

O Banco do Sul é idéia do presidente venezuelano, Hugo Chávez, para ser um alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, que ele considera muito influenciados por Washington.

No início deste mês, ministros de Venezuela, Bolívia, Equador, Uruguai, Paraguai, Brasil e Argentina se reuniram no Rio de Janeiro para fundar o banco. Mas eles ainda não chegaram a um consenso sobre o capital inicial da instituição e sobre como os membros farão suas contribuições.