18 de Setembro de 2008 / às 18:10 / 9 anos atrás

Só com Serra e Aécio unidos PSDB vence em 2010, diz líder tucano

Por Natuza Nery

BRASÍLIA (Reuters) - No mesmo partido, mas com ambições presidenciais idênticas, José Serra e Aécio Neves têm que fazer parte do mesmo time e agregar o tucanato se quiserem que o PSDB vença o jogo da sucessão em 2010, avalia liderança da legenda.

“O único modo de o PSDB ganhar a eleição é com o Serra e o Aécio juntos e todo o resto do partido na campanha”, afirmou o líder do PSDB, José Aníbal (SP), ressaltando que essa união de esforços não significa chapa puro-sangue, mas compromisso com um objetivo comum.

A crise no PSDB paulista, que colocou os correligionários José Serra e Geraldo Alckmin em lados opostos nos bastidores, caminha para se transformar num obstáculo a este fim.

Alckmin só acumula dissabores contra Serra na disputa pela prefeitura da capital. O governador do Estado, de olho em seu projeto político daqui a dois anos, apóia o democrata Gilberto Kassab para assumir o posto no Edifício Matarazzo.

Aécio Neves está mais afastado de confusões, mas também pode ser vítima da desunião partidária. Embora seu candidato, Márcio Lacerda (PSB), seja o favorito para vencer as eleições em Belo Horizonte, ele tem como vice um petista e o PSDB foi excluído da aliança.

O PSDB não tem boa chance no Rio, onde apóia Fernando Gabeira (PV), e se for derrotado em São Paulo fica fora das três mais importantes capitais do país, o que pode enfraquecer suas pretensões para 2010.

TRAIÇÕES

Aníbal faz o alerta à união com conhecimento de causa. Ele era presidente do partido quando José Serra foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.

Naquele ano, o tucano Tasso Jereissati (CE), que viria a ser o presidente da legenda, desembarcou da campanha de Serra para apoiar Ciro Gomes, inimigo histórico do candidato tucano. Na ocasião, Alckmin governava São Paulo com alta popularidade, mas não fez muito para ajudar o colega de partido.

Em 2006, foi a vez de José Serra fazer corpo mole. Ele não chegou a abandonar a campanha de Alckmin pois sequer entrou nela.

O mesmo aconteceu com outros membros do partido. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, ficou praticamente escondido no primeiro e no segundo turnos e Geraldo Alckmin morreu na praia, numa derrota que o enfraqueceria politicamente.

A “complexa” disputa em São Paulo, nas palavras do próprio Serra, pode tornar ainda mais distante o objetivo de ter a cúpula tucana unida. Mais: os ataques de Alckmin a Kassab, tecnicamente empatados segundo sondagem recente do Ibope, já acenderam o alerta vermelho também no ninho democrata, tradicional aliado do PSDB.

Kassab foi vice de Serra em 2004. Quando este deixou a prefeitura para disputar o governo do Estado, firmou o acordo de se unir ao DEM e eleger o aliado. O plano, parte de sua estratégia para 2010, acabou barrado pela decisão de Alckmin em concorrer ao comando da capital.

Em um evento do partido na semana passada, Fernando Henrique deu uma pista do que pensa sobre a contenda paulista e seus efeitos sobre as futuras eleições presidenciais.

“São Paulo é uma síntese poderosa da energia brasileira. É importante que essa energia se canalize. Vamos ganhar agora aqui, mas precisamos ter em vista 2010. Precisamos ter em vista a vitória do PSDB no Brasil e com os nossos aliados, porque ninguém ganha sozinho.”

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below