18 de Agosto de 2008 / às 21:31 / em 9 anos

Campanha na tevê em SP foca em realizações e padrinhos

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) - O horário eleitoral de rádio e TV que estréia na quarta-feira terá um mote comum aos três principais candidatos à prefeitura de São Paulo: todos vão explorar as próprias trajetórias em seus cargos públicos como atestado do que prometem fazer pela cidade.

Este vai ser o foco de Marta Suplicy (PT), ex-prefeita da capital (2001-2004); de Geraldo Alckmin (PSDB), ex-governador de São Paulo por seis anos (2001-2006); e do atual prefeito Gilberto Kassab (DEM), que assumiu o cargo que era do atual governador José Serra (PSDB).

Os candidatos estão de olho nos eleitores indecisos. Em pesquisa Ibope divulgada na sexta-feira, os indecisos somam 5 por cento na estimulada (quando o pesquisador apresenta um cartão com os nomes dos candidatos), mas sobe para 33 por cento na espontânea.

“Vamos mostrar o que ela fez no governo e combinar com propostas para a frente”, disse à Reuters o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), coordenador da campanha de Marta.

Na área de transporte e trânsito, tema que deve dominar o debate na cidade, Marta vai enfocar realizações que pretende ampliar, como os corredores exclusivos para ônibus e o uso do bilhete único em horários maiores e com as modalidades de compra semanal e mensal.

Sua campanha, com o segundo maior tempo (6 minutos e 40 segundos), é comandada pelo marqueteiro João Santana, que atuou na eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Vai ser uma boa estréia”, disse Zarattini, referindo-se ao resultado da pesquisa Ibope em que ela abriu uma diferença de 15 pontos sobre Alckmin, o segundo colocado. Marta atingiu 41 por cento das preferências enquanto Alckmin caiu para 26 por cento. Mas a disparada pode se reverter em mais ataques por parte dos adversários.

“TV tem muito peso. Não decide eleição, mas pode favorecer”, acredita o deputado.

O programa de Alckmin, que tem à frente Lucas Pacheco, vai enfocar o que ele realizou como governador e apresentá-lo como candidato. Na opinião de seu coordenador de campanha, deputado Edson Aparecido (PSDB-SP), muitos eleitores desconhecem que o tucano esteja na disputa.

Alckmin, que tem direito a 4 minutos e 27 segundos na TV, vai dar soluções a problemas que serão apresentados no programa. Ele foi flagrado gravando para TV em um terminal de ônibus na periferia de São Paulo quando colheu depoimentos da população sobre as falhas no transporte coletivo, o que pode ser um indicativo de críticas ao prefeito.

Kassab, cuja campanha é liderada pelo experiente Luiz Gonzalez, vai utilizar na TV um estilo “revista eletrônica”.

“O tempo comporta isso”, disse um integrante da campanha. São 8 minutos e 44 segundos, fruto da soma da coligação de seis partidos políticos.

O balanço numérico de realizações vai incluir, entre outros itens, a criação de 110 AMAS (Assistência Médica Ambulatorial), dois hospitais e 117 novas escolas.

Sem nunca ter disputado um cargo majoritário, o maior desafio da propaganda é tornar Kassab conhecido do paulistano e tentar aproximar a aprovação da prefeitura à preferência eleitoral.

Kassab recebeu aprovação de 35 por cento dos paulistas em julho, segundo o Datafolha, mas a intenção de voto no mesmo mês foi de 11 por cento. Agora, pelo Ibope, tem 8 por cento. A propaganda não deve bater em Alckmin, “que foi governador e não prefeito”, segundo o assessor. Com Marta deve haver muita comparação entre as duas gestões.

PADRINHOS

Os candidatos também vão colar a imagem em seus padrinhos políticos. A campanha de Alckmin vai exibir --em princípio logo na estréia-- um depoimento de Serra gravado na semana passada. Alckmin vai tentar espantar as críticas de que o governador está dividido entre sua candidatura e a de Kassab.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também já gravou seu recado e imagens do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, ao lado de Alckmin também serão utilizadas.

Serra também deverá aparecer na campanha de Kassab, mas não poderá pedir voto para o prefeito uma vez que o PSDB não faz parte de sua coligação. “Mas não vamos apagar a história”, diz um assessor, referindo-se ao fato de o tucano ter cumprido dois anos da atual gestão antes de Kassab assumir o posto.

Da mesma forma, Lula vai estar na campanha de Marta, mas ele ainda não gravou um depoimento para ser incluído nas imagens de TV. “Isso é estratégico. Tem que ver o melhor momento”, se limita a dizer Zarattini.

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