September 18, 2008 / 6:35 PM / in 9 years

SAIBA MAIS-Crise global mês a mês e os efeitos no Brasil

7 Min, DE LEITURA

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 18 de setembro (Reuters) - A crise internacional bateu à porta dos mercados brasileiros. Pouco mais de um ano após os primeiros sinais de ruptura no setor financeiro global, período em que o Brasil recebeu o sonhado grau de investimento, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) .BVSP patina abaixo dos 50 mil pontos e o dólar BRBY supera 1,90 real.

Acompanhe abaixo as idas e vindas do mercado brasileiro nos principais momentos da crise.

JULHO/2007 - Setor imobiliário dos Estados Unidos dá o primeiro grande susto. Em 26 de julho, hedge funds australianos com exposição a crédito imobiliário de alto risco (subprime) suspendem os resgates. A Bovespa cai quase 4 por cento no dia, a 53.893 pontos, e o dólar sobe mais de 3 por cento, a 1,928 real. O Tesouro Nacional cancela leilões de títulos.

AGOSTO/2007 - O banco francês BNP Paribas também congela fundos e prova que a crise pode causar um estrago global. O dólar, que começou o mês na casa de 1,89 real, supera 2 reais e obriga o Banco Central a suspender as compras diárias a partir do dia 14. A resposta do Federal Reserve, com corte surpresa do redesconto e injeções de liquidez, alivia Wall Street e ajuda a Bovespa a sustentar alta de 0,84 por cento no mês, a cerca de 54.637 pontos.

SETEMBRO/2007 - Primeira vítima da crise vem à tona, na Europa: a financeira Northern Rock pede socorro ao Banco da Inglaterra. Mas os bancos centrais estão rápidos no gatilho, e não deixam o mercado desanimar. O Fed começa a cortar a taxa básica de juros. A Bovespa fecha o mês no azul, acima de 60 mil pontos. O dólar cai a 1,83 real.

OUTUBRO/2007 - A confiança começa a voltar. Com lucros animadores e perspectiva de corte do juro, Wall Street deixa em segundo plano o medo do "subprime". No Brasil, o dólar recua a 1,73 real e o BC volta a comprar no mercado. A Bovespa, coroada pela alta espetacular na estréia das ações de sua holding, fecha o mês com alta de 8 por cento, acima de 65 mil pontos.

NOVEMBRO/2007 - Baixas contábeis incomodam Wall Street. Alguns relatórios lembram o mercado que a crise imobiliária dos EUA pode deixar sequelas no balanço de grandes bancos. O dólar, num mês volátil, chega perto de 1,80 real. A Bovespa recua 3,5 por cento no mês e volta aos 63 mil pontos.

DEZEMBRO/2007 - Instabilidade continua, e o mercado se frustra com o corte de apenas 0,25 ponto percentual do juro básico nos EUA. Dólar termina o ano a 1,777 real, e Bovespa fecha a quase 64 mil pontos.

JANEIRO/2008 - Economia dos EUA balança. O aumento assustador do desemprego traz à tona o medo de recessão, e força medidas extraordinárias do governo Bush. Um pacote de estímulo econômico de mais de 150 bilhões de dólares é anunciado, e o Fed corta o juro em reunião de emergência. O dólar se mantém a 1,76 real, mas a Bovespa cai 7 por cento e vai abaixo de 60 mil pontos.

FEVEREIRO/2008 - Os indicadores norte-americanos continuam fracos e o petróleo supera 100 dólares. Mas o mercado mantém a esperança de uma solução ordenada para os problemas do subprime. O dólar cai abaixo de 1,70 real, e a Bovespa fecha o mês em alta de 6,7 por cento, perto de 63.500 pontos.

MARÇO/2008 - O Bear Stearns, quinto maior banco de investimento de Wall Street, sucumbe aos problemas de liquidez. O Fed não fica parado, e arranja um casamento rápido entre o banco e o JPMorgan (JPM.N). O dólar sobe a 1,75 real, e a Bovespa cede 4 por cento.

ABRIL/2008 - Enquanto Wall Street tenta se reerguer, o BC começa a elevar o juro no Brasil para conter a inflação. No fim do mês, o país é surpreendido pelo grau de investimento, o que ajuda o dólar a baixar a 1,66 real e a Bovespa a disparar 11,3 por cento em abril, para perto de 68 mil pontos.

MAIO/2008 - A adrenalina após o grau de investimento dá ânimo extra ao mercado brasileiro, e a Bovespa atinge o pico, acima de 73 mil pontos. Mais tarde, a Fitch repete a S&P e também dá o selo de qualidade ao Brasil. O dólar termina o mês a 1,628 real.

JUNHO/2008 - Corte do juro nos EUA chega ao fim, e mercado se divide entre o perigo de uma recessão e o risco inflacionário. A Bovespa cai 10,4 por cento no mês, a 65 mil pontos, mas o mercado de câmbio continua animado e põe o dólar abaixo de 1,60 real.

JULHO/2008 - A crise bancária se renova. Bancos de pequeno porte começam a afundar nos EUA, ao mesmo tempo em que as maiores agências de hipotecas do país, Fannie Mae e Freddie Mac, mostram fraqueza. A Bovespa cai 8,5 por cento, abaixo de 60 mil pontos de novo, mas o dólar vai à mínima desde 1999, a 1,56 real.

AGOSTO/2008 - O problema se agrava nos EUA, e outras grandes economias do mundo sinalizam que uma recessão global não está descartada. O dólar sobe a 1,63 real e a Bovespa cai 6 por cento, para a faixa de 55 mil pontos.

SETEMBRO/2008 - O medo de que grandes bancos de investimento não consigam honrar compromissos diante da desvalorização de seus ativos instaura uma das piores crise de confiança de Wall Street. Lehman Brothers e Merrill Lynch se juntam ao Bear Stearns, um com o colapso e outro com uma venda urgente ao Bank of America.

O governo dos EUA se vê obrigado a acudir a seguradora AIG e as agências Fannie Mae e Freddie Mac. A imprevisibilidade e o medo de uma catástrofe financeira derrubam o mercado brasileiro, com dólar novamente acima de 1,90 real e Bovespa na faixa de 46 mil pontos nesta quinta-feira.

Edição de Daniela Machado e Renato Andrade

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