Alimentos mantêm inflação alta, sobretudo no atacado

quarta-feira, 18 de junho de 2008 13:51 BRT
 

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - Os preços dos alimentos começaram a mostrar uma leve desaceleração no varejo de São Paulo, mas continuaram em forte alta no atacado, confirmando o cenário previsto por analistas de que o arrefecimento dos índices de inflação será gradual.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de São Paulo, divulgado nesta quarta-feira, subiu 1,26 por cento na segunda quadrissemana de junho, abaixo da taxa de 1,30 por cento da primeira. Já o Índice Geral de Preços-10 avançou 1,96 por cento neste mês, ante 1,52 por cento em maio.

Ambos ficaram em linha com a previsão de analistas.

O mercado acredita que o ápice da inflação ao consumidor neste ano já ocorreu em maio, mas prevê que os IGPs --compostos em sua maioria pelo atacado-- continuarão subindo em junho. Entre as principais forças de resistência estão os alimentos.

"Acho que chegamos ao pico (de alta dos preços no atacado em junho), mas acho que a descida do pico vai ser mais gradativa", avaliou Salomão Quadros, economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que divulga o IGP-10.

O IPC, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostrou que os custos de Alimentação subiram 3,66 por cento, ante 3,68 por cento na primeira quadrissemana, em razão de uma forte redução no ritmo de aumento dos produtos in natura --que passou para 1,12 por cento na segunda leitura do mês, frente a 3,02 por cento na primeira.

Márcio Nakane, economista da Fipe, espera que o grupo dos alimentos encerre junho em alta de 3,02 por cento, abaixo dos 3,17 por cento de maio. Assim, ele reduziu o prognóstico para a inflação em São Paulo neste mês: para 0,98 por cento, ante 1,23 por cento em maio.

No IGP-10, os produtos agrícolas no atacado subiram 2,62 por cento em junho, acima da alta de 1,64 por cento de maio.   Continuação...