April 18, 2008 / 7:04 PM / 9 years ago

Coréia flexibiliza importação de carne bovina dos EUA

4 Min, DE LEITURA

Por Miyoung Kim

SEUL (Reuters) - A Coréia do Sul concordou na sexta-feira a retomar as importações de carne bovina norte-americana após Washington assumir o compromisso de elevar os padrões de segurança do produto, avançando em direção a um acordo mais amplo sobre comércio entre os dois países.

A retomada das importações coreanas remove um grande obstáculo para que o Congresso dos EUA aprove aquele que seria o maior acordo comercial desde a inauguração do Tratado Norte-Americano de Livre-Comércio (Nafta, em inglês) em 1994.

Além disso, a brasileira JBS, que possui forte atuação nos EUA, deve se beneficiar com a decisão coreana.

O Ministério da Agricultura sul-coreano divulgou em um comunicado que as importações de carne bovina dos EUA serão expandidas gradualmente, sendo autorizada a aquisição de carne de animais com menos de 30 meses de idade na primeira etapa.

A carne de animais mais velhos será permitida a partir do momento em que os padrões de segurança norte-americanos forem aperfeiçoados.

A Coréia do Sul, que chegou a ser o terceiro maior mercado importador de carne bovina dos EUA, impôs um embargo ao produto em 2003 após um surto de encefalopatia espongiforme bovina --a doença da vaca louca-- no rebanho norte-americano.

Posteriormente, o embargo foi amenizado e as importações de carne bovina dessossada de animais com menos de 30 meses de idade foram autorizadas novamente.

Os congressistas norte-americanos disseram que um acordo firmado um ano atrás com a Coréia do Sul seria prejudicado a menos que o país abrisse os mercados completamente para a carne bovina dos EUA.

Analistas estimaram que o acordo comercial, que precisa de aprovação dos senadores nos dois países, pode elevar em 20 bilhões de dólares as transações comerciais entre as nações, atualmente em 78 bilhões de dólares anuais.

Margens Maiores Para Jbs

A reabertura da Coréia para a carne norte-americana vem numa hora em que a indústria dos EUA atravessa um momento relativamente difícil, com alta de custos de insumos, excesso de capacidade de processamento e exportações vacilantes, em parte devido a embargos por conta da doença da vaca louca.

"A abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina americana proporcionará melhores margens para a JBS USA", afirmou um comunicado da empresa, que adquiriu em março as norte-americanas National Beef e Smithfield Beef .

Além dessas duas companhias, cuja compra ainda precisa ser aprovada pelo órgão de antitruste dos EUA, o JBS atua naquele país com a Swift, adquirida em 2007, e deve se tornar a maior do mundo em vendas de carne bovina, assim que as aquisições mais recentes forem aprovadas.

"A JBS, com uma base de produção extensiva nos EUA, tem ampla possibilidade para atender este mercado (da Coréia)", informou um comunicado.

As ações do JBS subiam, por volta das 15h40, 3,5 por cento.

"Os sul-coreanos representam um mercado importante pelos produtos que importam, como costela e pescoço com osso, que agregam valor para as margens americanas."

Reportagem adicional de Jack Kim em Seul, Michael Byrnes em Sydney e Roberto Samora em São Paulo

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