Teixeira tem depoimento adiado e nega lobby na venda da Varig

quarta-feira, 18 de junho de 2008 13:29 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - A oposição conseguiu adiar o depoimento do advogado Roberto Teixeira, nesta quarta-feira. A jornalistas, ele negou qualquer ingerência sua, de seu escritório, da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na venda da Varig.

Compadre do presidente Lula, Teixeira foi acusado pela ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu de ter atuado de forma imoral no processo de venda da Varig. O escritório de Teixeira representou os compradores da VarigLog e posteriormente da Varig.

Teixeira negou qualquer tipo de ingerência pessoal ou de seu escritório fora dos limites legais.

"Nós nunca tivemos, em qualquer momento, até porque as pessoas não se prestariam a isso, qualquer tipo de ingerência", disse a jornalistas após o adiamento de seu depoimento na Comissão de Infra-Estrutura do Senado.

O advogado também negou interferência de Dilma e de Lula no processo. Ele disse ter um "distanciamento normal" em relação à ministra e afirmou que "jamais, comigo ou por interferência minha, ela teve qualquer contato".

Quanto a Lula, que é padrinho de sua filha, foi taxativo. "O presidente Lula tem mais é que cuidar do Brasil e não vai interferir em relações absolutamente comerciais."

Teixeira representou os interesses do grupo comprador da VarigLog, formado pelo fundo norte-americano Matlin Patterson e por três sócios brasileiros. Posteriormente, a VarigLog comprou a Varig. Pelo serviço, o advogado teria recebido 5 milhões de reais, segundo afirmou um dos sócios brasileiros, Marco Antônio Audi.

"Isso é mentira", rebateu Teixeira. "O valor foi muito inferior a isso. Chegou a 300 mil dólares para todo o escritório."

O requerimento para adiar o depoimento de Teixeira foi apresentado pelo senador José Agripino (DEM-RN) e aprovado na comissão. Segundo o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o adiamento beneficia a investigação, "porque o sócio Marco Antônio Audi disse que tem documentos e nós queremos vê-los".   Continuação...