September 18, 2008 / 8:27 PM / 9 years ago

BC anuncia ação no mercado após dólar saltar 5%

3 Min, DE LEITURA

Por Fabio Gehrke

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou a quinta-feira em alta de quase 3 por cento, depois de desacelerar assim que o Banco Central anunciou que vai "emprestar" moeda norte-americana ao mercado para combater a escassez de crédito diante da forte turbulência internacional.

No fechamento, a divisa foi cotada a 1,921 real, maior patamar em um ano, com avanço de 2,89 por cento. O mercado futuro, entretanto, já apontava o dólar mais brando na sexta-feira.

Durante a sessão, a moeda norte-americana chegou a saltar mais de 5 por cento e alcançou 1,961 real.

"Os canais de transmissão de uma crise internacional são o crédito e o câmbio", afirmou Nathan Blanche, sócio-diretor da Consultoria Tendências e especialista em câmbio.

Segundo ele, os exportadores necessitam de tais linhas para pagar "um mundo de despesas", mas a crise global secou essas fontes de financiamento em moeda estrangeira.

A crise mundial já fez o dólar subir quase 23 por cento desde o início de agosto.

Ainda assim, o fluxo cambial para o país continuava positivo nos primeiros dias de setembro, indicando que não havia falta de liquidez no mercado físico mas sim um forte movimento nas operações derivativas.

Pelos dados mais recentes da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os estrangeiros mantinham mais de 6,7 bilhões de dólares em posições compradas em derivativos cambiais nesta semana --revelando, com isso, uma forte aposta contra o real.

A corretora Concórdia ponderou que, nos últimos dois dias, o dólar acabou subindo com volume consistente, o que mostra uma saída de recursos.

"Isso é um resultado da falta de linha de crédito (para exportadores). Se tem uma forma que resolve isso é a operação compromissada do Bacen. Sem dúvida dá uma acalmada", comentou Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez.

LEILÕES DO BC

Diante desse cenário, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, anunciou que serão feitos leilões de venda de dólares ao mercado com compromisso de compra futura. As operações serão feitas com a frequência que o BC considerar necessária.

Analistas já esperavam que o Banco Central viesse a atuar para suprir a falta de linhas de crédito, trabalhando como um "intermediador".

"Acho uma intervenção muito bem-vinda... Quem falou que (a crise externa) ia ser imperceptível, não sabia o que estava dizendo. O que se falou, e isso corretamente, é que a repercussão sobre o Brasil vai ser muito menos grave do que seria no passado, quando o Brasil tinha uma vulnerabilidade externa muito maior", disse Joel Bogdanski, consultor de análise econômica do Itaú.

Com reportagem adicional de Silvio Cascione e Elzio Barreto

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