Governo e oposição não chegam a acordo sobre votação da DRU

terça-feira, 18 de dezembro de 2007 17:02 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - Terminou sem acordo a reunião do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), com os líderes dos partidos políticos com o objetivo de acertar a data de votação em segundo turno da DRU (Desvinculação do Recursos da União), considerada estratégica pelo governo.

A oposição quer garantias de que a equipe econômica não elevará impostos para suprir os 40 bilhões de reais que o caixa do governo vai deixar de arrecadar com o fim da CPMF. De seu lado o governo quer votar a proposta na quarta ou quinta-feira, última semana dos trabalhos do Congresso.

"Insistir em aumento de impostos ou recriação da CPMF é molecagem, eu não negocio com governo moleque", disse a jornalistas o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AL), referindo-se a declarações do ministro Guido Mantega (Fazenda).

O líder do Democratas, senador José Agripino Maia (RN), negou que a oposição esteja segurando a votação da DRU, que dá liberdade ao governo no uso de 20 por cento de recursos do Orçamento, para tentar barrar novos tributos.

"Nós não estamos chantageando ninguém, quem chantageia é o governo quando vem com essa de pacote tributário", afirmou.

A senadora Ideli Salvatti, líder do PT, ainda crê nas conversações. "Acredito no entendimento, a oposição tem que se conscientizar que o Brasil perdeu 40 bilhões de reais e vai ser necessário fazer uma recomposição", disse ela, enquanto Garibaldi afirmou que garante a votação nesta semana.

O Palácio do Planalto condiciona o anúncio de medidas para compensar a perda da CPMF à votação da DRU, já que apenas com a definição sobre a permanência do mecanismo a equipe econômica poderá costurar um pacote de disposições pós-CPMF.

Para a aprovação, são necessários 49 votos. No primeiro turno, a proposta somou 60 votos favoráveis e 18 contrários, o que indica adesão da oposição.

Nesta noite, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne o conselho de partidos que formam a coalizão para discutir a derrota na votação da CPMF, em que houve seis senadores "rebeldes" na base, e as novas medidas. Também é esperado para amanhã encontro do presidente com a equipe econômica para discutir as disposições.

(Texto de Carmen Munari; Edição de Mair Pena Neto)