September 18, 2008 / 3:40 PM / 9 years ago

ESPECIAL-Crise ajuda private equity bater recorde no Brasil

5 Min, DE LEITURA

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO, 18 de setembro (Reuters) - Um dos melhores termômetros do apetite do mercado por investimentos de longo prazo, a indústria de private equity, que compra participações em empresas emergentes, está sendo beneficiada pela turbulência nas bolsas de valores e ruma para novo recorde no Brasil em 2008.

Contando os recursos levantados por grandes instituições do setor, como Pátria, Gávea, AIG Investments, mais um fundo que está sendo levantado pelo GP GPIV11.SA estimado em cerca de 2 bilhões de dólares, o setor já superou o recorde de 4 bilhões de dólares captados ao longo do ano passado.

Na outra ponta, a compra de participações em empresas vai se amontoando. Uma das últimas foi a do grupo varejista gaúcho Quero-Quero, arrematado pelo gigante Advent International por um valor estimado em cerca de 200 milhões de reais, no início do mês. Isso sem contar outros gigantes, como Carlyle e General Atlantic, que há meses estão desenhando fundos na casa do bilhão de dólares para entrar na região.

"Essa turbulência está ajudando nosso negócio", diz Patrice Etlin, principal sócio no país do Advent, maior investidor do ramo no Brasil, adiantando que anunciará outra aquisição no setor varejista brasileiro na semana que vem.

E um dos principais motivos desse movimento é justamente a turbulência nas bolsas de valores, que paralisou a indústria de IPOs (ofertas públicas iniciais de ações, na sigla em inglês).

Com nada menos de 64 estréias na Bovespa em 2007, companhias ainda em fase intermediária passaram a preferir ir direto à bolsa captar recursos, em vez de aceitar como sócio um fundo de private equity, cuja principal atividade é profissionalizar a gestão das companhias, preparando-as para acessar sozinhas o mercado de capitais.

"Como havia farta oferta de recursos, os empresários começaram a enxergar suas próprias empresas com uma idéia errada. Por isso, ficou mais difícil fechar negócios", diz Luiz Eugênio Figueiredo, presidente da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (ABVCAP).

Com a crise, a história mudou. Foram apenas quatro lançamentos na Bovespa: Nutriplant NUTR3M.SA, Hypermarcas (HYPE3.SA), Le Lis Blanc (LLIS3.SA) e OGX Petróleo e Gás (OGXP3.SA).

MAIS OPERAÇÕES

Fechada a generosa janela do mercado de capitais, companhias que precisavam rapidamente de recursos para financiar seu crescimento, especialmente as que operam em mercados em fase de consolidação, começaram a pensar de novo em ter fundos de participações como sócios.

Um desses casos foi a própria Quero-Quero. A companhia já tinha até contratado banco de investimento para coordenar sua ida à Bovespa quando a crise exigiu mudança de planos.

Outra que está indo pelo mesmo caminho é a Lojas Maia, rede varejista que atua no Nordeste --que também desistiu do IPO e está negociando a entrada de um fundo de private em seu capital.

"Temporariamente, ter um fundo como sócio tinha deixado de ser a primeira opção. Agora, existem diversas operações desse tipo em andamento. Algumas devem sair ainda este ano", diz José Eduardo Carneiro Queiroz, sócio do escritório de advocacia Mattos Filho.

Segundo fontes do mercado, entre as instituições que podem anunciar novidades já nas próximas semanas estão, além do próprio Advent, o Actis, o Darby e o GP.

Edição de Daniela Machado

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