18 de Janeiro de 2008 / às 16:58 / 10 anos atrás

ANÁLISE-Fusões e aquisições em emergentes: a próxima bolha?

Por Mathieu Robbins

LONDRES (Reuters) - Empresas estão tentando escapar da crise de crédito e da desaceleração econômica na Europa e na América do Norte buscando crescimento através de aquisições em mercados emergentes, mas elas podem estar entrando no que pode se revelar a próxima bolha.

Bancos de investimentos querem manter o mundo corporativo engajado em fusões e aquisições em países em desenvolvimento, como forma de garantir crescimento das receitas e também como mecanismo de proteção contra um revés econômico nos seus mercados domésticos.

Mas o aumento do preço das companhias, em alguns casos com valor maior do que as empresas de mercados maduros, tem ampliado o temor de que o mercado pode estar superaquecido.

"Podemos estar vendo o começo de uma bolha nos mercados emergentes", disse Ludovic de Montille, presidente-executivo da unidade britânica do banco francês BNP Paribas.

"Existe uma competição por ativos e também algumas avaliações que alcançaram níveis que levam em conta a continuidade do crescimento, e os mercados emergentes são atualmente cíclicos", acrescentou.

Empresas estão investindo em economias como China e Índia, bem como na Europa Oriental e na Turquia, em busca de expansão acelerada nesses mercados.

Normalmente, esses acordos avaliam os ativos com base nas perspectivas futuras de fluxo de caixa --e alguns banqueiros estão preocupados com o fato de algumas análises ignorarem riscos geopolíticos e a possibilidade de uma recessão.

De qualquer forma, a intensa competição por negócios nos países emergentes está levando a nível recorde de preços de ativos, particularmente dentro do setor bancário.

Os bancos europeus costumam ser avaliados em acordos de fusões e aquisições em cerca de 1 vez e meia seu valor contábil. Mas instituições financeiras de países como Polônia, Turquia e Ucrânia têm sido vendidas por um preço cerca de três a quatro vezes seu valor contábil.

Uma razão para explicar a diferença nos múltiplos pagos é o espaço para crescimento nesses países. Ao mesmo tempo, essas perspectivas de expansão atraem mais potenciais compradores e empurram os preços dos ativos ainda mais para cima.

Leilões de bancos na Turquia e na Europa Oriental atraem com frequência instituições financeiras globais e bancos europeus da parte Ocidental. O leilão do banco turco Denizbank em 2006, por exemplo, despertou interesse de pesos-pesados da indústria financeira como Citigroup, Intesa, Societe Generale e BNP .

O Denizbank acabou sendo comprado pelo belgo-francês Dexia, que pagou quase quatro vezes o valor contábil da instituição financeira da Turquia.

"Em uma época de incerteza sobre a taxa de crescimento em mercados desenvolvidos, há um forte interesse em adquirir ativos em mercados em crescimento", disse um banqueiro sênior da área de fusões e aquisições da Europa.

Aliado a isso, o número de oportunidades de fusões e aquisições em países desenvolvidos encolheu, e mais e mais empresas olham para mercados emergentes.

"Se o valor dos ativos em mercados emergentes subir demais --outros 20 ou 30 por cento-- sem uma mudança nos fundamentos macroeconômicos, eles estarão superestimados", disse um executivo de um grupo de private equity com atividades em países em desenvolvimento.

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