Coordenadores vêem redução de ofertas de ações na AL em 2008

terça-feira, 22 de janeiro de 2008 14:18 BRST
 

Por Elzio Barreto

SÃO PAULO, 22 de janeiro (Reuters) - O ritmo de vendas de ações na América Latina deve diminuir pela primeira vez em cinco anos em 2008 com a queda nas ofertas primárias de ações (IPOs, na sigal em inglês) no Brasil, afirmaram os três maiores coordenadores líderes de operações na região.

No Brasil, que respondeu por 80 por cento do volume de ofertas de toda a região em 2007, o ritmo de crescimento deve ser inferior ao observado no Peru, Colômbia, México e Argentina este ano, segundo expectativa de Credit Suisse, UBS e JPMorgan.

As empresas latino-americanas venderam 51,93 bilhões de dólares em ações no ano passado, mais que o dobro dos 19,61 bilhões de dólares de 2006, de acordo com a empresa de pesquisa Dealogic. Os três bancos, que coordenaram mais de metade das ofertas, afirmaram que esse tipo de crescimento será difícil de ser equiparado.

"Será difícil crescer tanto porque os números são muito grandes", apontou Sebastien Chatel, chefe da área de subscrição de ações para América Latina do Credit Suisse, principal coordenador de ações na região. "Provavelmente o volume de emissões ficará estável, com um mix diferente."

O Brasil tem sido o carro-chefe do crescimento em ofertas de ações nos últimos anos, com muitas empresas abrindo seu capital ou recorrendo à bolsa para captar recursos usados para expansão dos negócios e em aquisições.

Em 2007, a venda de ações no mercado brasileiro pulou para 75,43 bilhões de reais, ante os 31,18 bilhões de reais em 2006. As maiores operações foram a de 6,63 bilhões de reais da Bovespa Holding BOVH3.SA e a de 5,98 bilhões de reais da Bolsa de Mercadorias & Futuros BMEF3.SA.

O número de IPOs no Brasil será menor em 2008 ante os 62 de 2007, apesar do número de empresas realizando ofertas secundárias subir contra o ano passado, segundo previsão dos coordernadores. Os registros de pedidos de ofertas junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que 38 empresas estão à espera de aprovação regulatória para venda de ações.

"Não teremos um outro ano com 100 por cento de crescimento, mas temos sim um bom fluxo à frente", afirmou Evandro Pereira, chefe do setor de mercado de capitais para América Latina do UBS, segundo no ranking de emissões de ações na região.   Continuação...